parte 2 Capítulo 19

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Gerar Resumo de áudio Luna

Pela manhã, enquanto fazíamos amor, a camisinha rasgou, e não nos demos conta. Quando ele tirou, quase entrou em pânico.

— Calma, Ethan, minha mãe deve saber o que fazer... — tentei acalmá-lo, sentindo um frio na barriga.

— Não conta pra ela, ela vai me achar um irresponsável, como eu pude... — ele estava visivelmente abalado, os olhos arregalados de preocupação.

— Não se culpe, Ethan, amanhã mesmo vou à ginecologista, ela vai me ajudar — prometi, tentando manter a calma.

— Amanhã pode ser tarde demais, Lu — ele disse, com a voz embargada.

— Não quer um filho meu? — brinquei, mas a leveza sumiu do ar quando ele parou e ficou sério.

— Lu, é claro que eu quero, como eu não iria querer? Ainda mais seu, eu... Só acho que você é tão nova e... — ele parecia lutar com as palavras.

— Ethan, eu estou brincando — o interrompi, percebendo a gravidade da situação.

— Me desculpe... Estraguei tudo, não foi? — ele perguntou, o olhar cheio de culpa.

— Não, meu amor, não estragou, eu também quero ficar ao seu lado e ter filhos com você, mas não agora — o tranquilizei, puxando-o para um abraço.

Ethan me abraçou, chorando, e eu fiz um carinho em sua cabeça.

— Não chora, meu amor, eu não devo ter engravidado assim tão rápido — murmurei, tentando confortá-lo.

— Não é por isso... — ele fungou. — Você... Me chamou de amor e... É tão bom.

Sorri, sentindo uma onda de ternura. Não acredito que algo tão simples, palavras tão simples, pudessem emocionar alguém assim. Ele me soltou, sem olhar em meu rosto, e pegou o celular.

— Já sei para quem perguntar o que fazer — disse ele, entrando no banheiro.

Eu também sei. Mandei uma mensagem, sentindo um misto de apreensão e esperança.

. . .Jimmy

Comecei a dançar com ele, sem muitas explicações, apenas o conduzi. Mas eu não conseguia focar, então parei.

— Desculpa, Guto, não... Não consigo — confessei, a voz embargada.

— Tudo bem, eu só queria te ver bem — ele disse, com um olhar compreensivo.

— Eu acho que fiquei cego pelo sol, eu queria tanto aquele amor para mim, como eu vejo que meus pais têm, que eu vejo que meus dindos têm, que eu não me importei se era homem ou mulher, não me preocupei com as consequências — levantei o olhar, e Guto estava ali, sustentando o meu olhar com preocupação. — Eu vou pirar.

— Não vou deixar. Vamos focar na dança, na roda Cyr, você pode encontrar uma garota legal nesse curso — ele tentou me animar.

— Eu não tenho cabeça para isso — soltei minhas coisas e ia saindo, sem nem pensar para onde ia.

— Espera... Onde vai? — ele correu, passando por mim e pegando minha mão.

— Fica com a chave, confio em você — falei, mas ele não me soltou.

— Não... — ele sacudiu a cabeça em negativa. — Por favor, eu... Eu... — ele parou, procurando as palavras. — Eu tenho uma coisa para te mostrar.

Deixei ele me levar até o puff, e ali me joguei. Guto conectou o Bluetooth do telefone dele no som. A música começou a tocar Quiéreme mientras se pueda do Manuel Turizo. Ele caminhou até o centro da sala e ficou de frente para mim. Fechou os olhos e dançou. Ele dançou de verdade, ele não me olhava, seus olhos ficaram fechados durante toda a música, e eu apreciei cada movimento. Ele ainda era bruto, mas um bruto com energia, com movimento. Ele usou o que sabia das artes marciais para fazer acrobacias. Poderíamos fazer uma dupla na arte contemporânea, poderíamos fazer shows. Eu entendo espanhol porque a dinda nos fez fazer um curso de espanhol para ir para o México com ela. A letra dessa música é linda. Me levantei, fui até o telefone dele, estava bloqueado, mas dava para voltar a música. Ele parou e me olhou com aqueles olhos arregalados.

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora