A manhã seguinte chegou carregada de expectativas. Ontem, Jey-jey me deixou em casa e foi trabalhar, e a curiosidade sobre seu emprego borbulhava dentro de mim. A ansiedade pela carona de hoje também. Estava tomando café quando meu pai desceu, com o rosto marcado pelo cansaço.
— Bom dia, Maia!
— Bom dia, pai. Hoje vou chegar tarde em casa! — avisei.
— Posso saber onde vai?
— Claro, vou me inscrever numa escola de dança la no centro!
— Não sabia que dançava!
— Tem muita coisa minha que você perdeu, pai!
— Fui um péssimo pai, não é mesmo?!
— Ainda dá tempo de consertar! — falei.
— O que você dança?
— Balé e Street!
— Consegue ficar na ponta dos pés mesmo desse tamanho?
— Pai, se pretende ter uma chance de se redimir comigo, vamos parar de se importar com meu peso. Eu sou feliz do jeito que sou!
— Não é o que parece!
— Minha depressão não tem a ver com meu peso, e sim com as brigas que vocês dois jogaram em cima de mim, me fazendo engolir os seus problemas quando eu tinha apenas 9 anos!
— Tudo bem, tudo bem. Comecei errado, me perdoe, vamos recomeçar!
— Certo!
— Fico feliz que dance!
— Obrigado, pai!
— Vou te dar dinheiro para o táxi!
— Tudo bem, eu tenho dinheiro, não se preocupe!
— Quando precisar de dinheiro, vou deixar sempre na lata em cima da geladeira!
— Ok, agora tenho que ir!
— Duas mochilas?
— É, uma é com as coisas do balé!
— Pretende se apresentar?
— Não sei, você pretende ir?
— Sim!
— Então vou!
Lhe dei um sorriso e saí na porta.
— Bom dia, dia!
Respirei fundo e fui para a escola. Não vi Jey na casa dele, nem na escola. Espero que ele não se esqueça de mim hoje. Rita me recepcionou com um abraço.
— Vamos, hoje temos aula com o professor bonitão de história!
— Ai céus, você precisa de um namorado! — falei, rindo.
— E muito! — disse ela, suspirando.
No intervalo não o encontrei, mas mantive meu sorriso de sempre.
— Como você consegue ser tão feliz, Maia? Está sempre sorrindo, nunca te vi pra baixo, nem quando era pequena! — perguntou Larissa.
— Às vezes, menos é mais! — falei.
— Não entendi?
— Eu fico feliz com coisas mínimas, como uma flor ou o sol da manhã, ou uma chuva no entardecer. Isso já é o suficiente! — menti. Eu era uma boa mentirosa quando se tratava de esconder do mundo minhas tristezas.
— Parabéns por conseguir isso! — disse Larissa.
— Obrigado!
— O que tem nessa outra mochila?
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Amor Secreto - Degustação
Novela JuvenilNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
