Capítulo 4

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A manhã seguinte chegou carregada de expectativas. Ontem, Jey-jey me deixou em casa e foi trabalhar, e a curiosidade sobre seu emprego borbulhava dentro de mim. A ansiedade pela carona de hoje também. Estava tomando café quando meu pai desceu, com o rosto marcado pelo cansaço.

— Bom dia, Maia! 

— Bom dia, pai. Hoje vou chegar tarde em casa! — avisei. 

— Posso saber onde vai? 

— Claro, vou me inscrever numa escola de dança la no centro! 

— Não sabia que dançava! 

— Tem muita coisa minha que você perdeu, pai! 

— Fui um péssimo pai, não é mesmo?! 

— Ainda dá tempo de consertar! — falei. 

— O que você dança? 

— Balé e Street! 

— Consegue ficar na ponta dos pés mesmo desse tamanho? 

— Pai, se pretende ter uma chance de se redimir comigo, vamos parar de se importar com meu peso. Eu sou feliz do jeito que sou! 

— Não é o que parece! 

— Minha depressão não tem a ver com meu peso, e sim com as brigas que vocês dois jogaram em cima de mim, me fazendo engolir os seus problemas quando eu tinha apenas 9 anos! 

— Tudo bem, tudo bem. Comecei errado, me perdoe, vamos recomeçar! 

— Certo! 

— Fico feliz que dance! 

— Obrigado, pai! 

— Vou te dar dinheiro para o táxi! 

— Tudo bem, eu tenho dinheiro, não se preocupe! 

— Quando precisar de dinheiro, vou deixar sempre na lata em cima da geladeira! 

— Ok, agora tenho que ir! 

— Duas mochilas? 

— É, uma é com as coisas do balé! 

— Pretende se apresentar? 

— Não sei, você pretende ir? 

— Sim! 

— Então vou!

Lhe dei um sorriso e saí na porta.

— Bom dia, dia!

Respirei fundo e fui para a escola. Não vi Jey na casa dele, nem na escola. Espero que ele não se esqueça de mim hoje. Rita me recepcionou com um abraço.

— Vamos, hoje temos aula com o professor bonitão de história! 

— Ai céus, você precisa de um namorado! — falei, rindo. 

— E muito! — disse ela, suspirando.

No intervalo não o encontrei, mas mantive meu sorriso de sempre.

— Como você consegue ser tão feliz, Maia? Está sempre sorrindo, nunca te vi pra baixo, nem quando era pequena! — perguntou Larissa.

 — Às vezes, menos é mais! — falei. 

— Não entendi? 

— Eu fico feliz com coisas mínimas, como uma flor ou o sol da manhã, ou uma chuva no entardecer. Isso já é o suficiente! — menti. Eu era uma boa mentirosa quando se tratava de esconder do mundo minhas tristezas. 

— Parabéns por conseguir isso! — disse Larissa. 

— Obrigado! 

— O que tem nessa outra mochila? 

Amor Secreto - DegustaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora