parte 2 Capítulo 8

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Jimmy

Na escola de dança, eu e Luna nos vestimos e ligamos o som, um ritual que já era nosso. Nos sentamos no centro da sala com nossos presentes da vovó. Abrimos ao mesmo tempo. Eram sapatilhas: rosa-pink para Lu e pretas para mim. Dentro, tinha um bilhete para cada um.

— Você é meu 10! — leu ela, a voz embargada.

— No meu diz o mesmo. — comentei, sentindo um nó na garganta.

Mesmo emocionados, colocamos as sapatilhas. A da Lu ficou um pouco grande, mas ela deu um jeito de amarrar firme no pé. Dançamos até estarmos exaustos, suados, exaurindo a dor do corpo para aliviar a da alma.

. . .

No dia seguinte, fomos obrigados a voltar à vida normal. Quando abri meu armário, lá estava uma carta, inesperada por não ser Dia dos Namorados. Tinha o sol desenhado no envelope. Eu tive vontade de chorar e beijar a carta. Eu não sei quem é o meu sol, mas eu precisava tanto disso. Corri para o banheiro para ler, minha mão tremendo.

"Olá, meu mundo, eu queria dizer que sinto muito pelo que houve com sua avó e foi muito triste para mim estar presente e nada poder fazer para te reconfortar depois daquela dança. É por isso que me comparo ao sol e você à terra. O sol é apenas o espectador, só pode observar e mandar energia enquanto nada pode fazer. Se eu te tocar, posso te destruir e não é isso que eu quero, mas eu tenho esperança que tenhas sentido nem que seja um pouco do meu amor por você. Te amo para sempre e sempre serei o seu ☀️"

— Eu senti sim, meu sol! — falei, abraçando aquela carta, sentindo um alívio imenso.

Naquele dia, não fui treinar. Todos entenderam. Colei um bilhete na porta do meu armário: "Onde posso te deixar uma carta? 🌏" Fiz um desenho tosco do planeta Terra. Eu não me importava de quem leria e o que acharia. A única coisa que importava era que ele lesse. Mas no dia seguinte, quando abri a porta, tinham muitos bilhetes, mensagens de carinho e outras até com endereço, mas não tinha a que eu esperava. Aquilo me deixou mal a manhã toda, uma pontada de desapontamento. Mas quando fui guardar minhas coisas para ir para o treino, lá estava ele: o sol no envelope.

"Sempre sonhei em receber algo seu. Na sala de música tem um armário verde, coloque-o ali em cima, aguardarei ansiosamente por isso. Te amo☀️"

Eu tremi na base quando li. E agora? O que eu escreveria para alguém que não conheço? O treino fiquei tão disperso que o treinador me dispensou. Aproveitei que o vestiário estava vazio, sentei num canto com o caderno. Pensei em cada palavra.

"Para o meu sol de esperanças, eu não sei quem é você e te juro que guardei cada uma destas cartas que recebi sua. Eu aguardo ansioso cada uma delas, é minha data preferida do ano, porque eu sei que vai ter algo seu ali. Eu queria sentir o seu abraço após aquela dança, queria sentir o seu calor, mesmo que eu me queimasse e explodisse depois. Ultimamente tenho precisado mais de você do que você possa imaginar, realmente você se tornou o meu sol e independente de quem você seja, eu preciso te conhecer. Eu não me importo que você tenha três olhos, uma antena, tentáculos no lugar das mãos, eu só quero sentir você perto de mim. Te amo e te quero, meu sol! 🌏"

Desta vez, usei uma tampinha para fazer o planeta. Estava desenhando quando Augusto entrou no vestiário furioso, jogando o capacete num canto. Quando se virou, ficou preocupado ao me ver.

— Você está aí?! — disse ele, surpreso.

— Já estou indo. — falei, me levantando.

— Está escrevendo uma carta?

— É...

— É para a pessoa que eu estraguei sua carta aquela vez? — disse ele, tirando o resto do uniforme.

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora