Capítulo 5

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A amizade com Liz floresceu. Ela era um furacão de carisma, pelo menos comigo; para os outros, parecia uma força a ser temida. Professora exemplar, rígida com meus erros, mas mestre em me fazer acreditar em cada fibra do meu ser. Os dias voaram, eu me dedicava a guiar as meninas, a lapidar seus movimentos até que dançassem com uma sincronia quase perfeita.

Hoje, o grande dia da seleção. Por incrível que pareça, o nervosismo mal me tocava. Com os dois "jurados" que eu tinha, a entrada no time era uma impossibilidade calculada. As meninas, no entanto, saltitavam de estresse. Entramos no ginásio, e lá estava ela: Pri, com aquele sorriso falso que me dava arrepios.

— Então, já estão todas aqui. Este ano, como sabem, muitas saíram ao se formar, então precisamos de meninas com boa elasticidade e sexy pra caramba! — Ela disparou, lançando-me um olhar cortante antes de seguir com sua ladainha cheia de alfinetadas direcionadas a mim.

"Elasticidade, é? Ah, ela vai ter elasticidade. E sexy? Beleza, vou mostrar a ela o que é sexy." Eu já estava com a coreografia na ponta dos pés, e a única coisa que eu queria era calar a boca dela.

Ela foi chamando as meninas, algumas em dupla, outras sozinhas. Quando finalmente chegou a nossa vez — sim, ela nos deixou por último, eu já esperava.

— Somos um trio! — anunciei. 

— Entramos as três ou nenhuma! — Rita disparou.

"Ela tá louca? Assim não vamos entrar!", pensei, mas ela piscou para mim. Nesse instante, uma multidão começou a invadir o ginásio: o time inteiro de futebol! Pri e Taylor olharam para trás, onde o time se ajeitava para nos observar.

— O que você fez? — sussurrei para Rita. 

— Eu? Nada! Foi a Lari!

Fuzilei Lari com os olhos.

— Só chamei uns amigos para nos ver! — ela disse, dando de ombros.

Olhei além deles, e lá estava Jey, braços cruzados, os olhos fixos em mim. Corei com seu sorriso de canto. Ele fez um sinal de "boa sorte" com os dedos cruzados, os lábios se movendo em um "boa sorte" silencioso. Sorri de volta.

— Então tá! — disse Pri. — Plateia para as três patetas!

(Aqui em baixo está a coreografia e música da nossa apresentação)

Joguei um beijo sarcástico para ela e fiz sinal para o rapaz do som liberar nossa música. A introdução de "No Tears Left To Cry" começou a ecoar, com seus acordes etéreos e batida ascendente, enchendo o ginásio.

A música flutuava no ar, e eu deixei que ela me guiasse. Meus movimentos começaram suaves, quase um lamento contido, braços abertos como quem busca algo no vazio, depois recolhidos em um abraço a mim mesma. A cada batida ascendente, eu me elevava, o corpo se alongando, as pontas dos pés tocando o chão com uma leveza quase sobrenatural. Minhas mãos, ora abertas em convite, ora fechadas em punhos delicados, contavam a história de uma superação, de um recomeço.

Quando o refrão explodiu, eu me lancei para frente, os movimentos se tornando mais poderosos e cheios de uma energia contida. Não era agressividade, mas sim uma força resiliente. Meus giros eram amplos, libertadores, as viradas rápidas, quase como um "eu me levanto". Eu sentia a emoção da música, a mensagem de que, apesar das dificuldades, não havia mais lágrimas para chorar, apenas a força para seguir em frente.

Meus olhos encontraram os de Pri novamente. Não havia ódio, mas uma determinação fria. Cada passo era preciso, cada "body roll" fluía com uma confiança que parecia desafiá-la silenciosamente. Eu usava a força do meu corpo, a elasticidade que Liz havia aprimorado, para me mover com uma agilidade que desmentia qualquer preconceito. Os braços se estendiam para o alto, em um gesto de triunfo silencioso, e depois caíam com a leveza de quem se libertou de um peso.

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora