Capítulo 21

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Saí correndo, peguei minha roupa da primeira apresentação e, sem hesitar, tirei o uniforme de líder ali mesmo, vestindo o tutu por cima do colã que já usava. Meus alunos já estavam com a lona de borracha, pronta para cobrir uma parte do campo. A banda saiu, e eles a puxaram correndo, jogando pó de giz em algumas partes para garantir que os pés não travassem.

Eu era a primeira a dançar. Peguei o microfone, sentindo a adrenalina pulsar.

— Olá, pessoal! Sou Maia, para quem não me conhece ainda. Sou bailarina clássica em formação e professora de Street na escola de dança Flor de Liz. Todas as apresentações que verão aqui têm ou terão na escola. Sei o que devem estar pensando: 'Poxa, essa gordinha na ponta de uma sapatilha, não boto fé! — Todos riram, e um calor gostoso me envolveu. — Mas espero surpreendê-los! Sou do lema 'qualquer um pode dançar', independentemente de como for. Espero que se divirtam com nossas apresentações!"

Havia gente chegando e outras pessoas se acomodando melhor, a expectativa no ar. Fui aplaudida, e os aplausos ecoaram enquanto eu fazia minha apresentação solo. O time de futebol começou a chegar na arquibancada, e as líderes foram para lá. Pri foi carregada até a arquibancada, ainda com o pulso enfaixado. Fui aplaudida novamente, e a energia da torcida me impulsionou. Voltei a pegar o microfone.

— Agora verão minha primeira turma da Flor de Liz! Um aplauso para eles, pessoal!

Minha turma dançou perfeitamente bem, uma sincronia que me encheu de orgulho. Eu os aplaudi muito e assobiei, a emoção transbordando. Jey entrou em campo e se posicionou no meio, e o time todo explodiu em gritos e assobios.

"Ai, gostoso!" "Fiu-fiu!" "Rebola aí, Jey!"

Acho que o apelido pegou de vez. Jey estava mais participativo do que nunca, um brilho nos olhos. Olhei para ele e ganhei um sorriso esplendoroso, que iluminou todo o campo. Olhei para os meninos na plateia e fiz sinal de silêncio com o dedo, um pacto silencioso. Eles sentaram calados, fazendo sinal de zíper na boca, e ri com o gesto deles, voltando meu sorriso a Jey, pronto para a magia acontecer. A música I need you love começou a tocar.

Dancei e cantei para ele, sei que só ele me ouviria, mas era só o que eu queria, cada nota uma prece, cada movimento uma confissão. Repetimos os mesmos passos que ensaiamos tantas vezes, mas agora Jey não se sentia perdido; ele estava presente, fluindo comigo. Ensinei outros movimentos, e ele foi incrivelmente gracioso, me pegava com uma doçura surpreendente e me girava no ar com um carinho que desarmava. Jey é como um mar calmo, a lua brilhante no céu que ofusca as estrelas. Jey é a minha calmaria, meu bem-estar, minha paz, meu conforto e consolo, meu amigo acima de tudo. Li suas cartas e eram doces lembranças que não tivemos, assim como esta dança, ele combina com o balé, ele combina com a leveza dos movimentos, eu o amo.

Fomos aplaudidos de pé por todos, uma ovação que encheu o peito. Agradecemos, e o abracei forte, o calor dele me envolvendo. 

— Obrigado por ser a minha paz, Jey! 

— Obrigado por ser a minha! — Ele beijou minha bochecha, um toque suave que me fez arrepiar, e saímos rápido do palco.

Anunciei a segunda equipe enquanto corria para a troca de roupa. Tirei o tutu e em um piscar de olhos, já estava vestindo o short por cima do colã, a parte de cima da roupa de líder de torcida e o vestido vermelho que mandei fazer com um velcro atrás, por cima de tudo — assim, Taylor conseguiria abrir em um puxão só. Liz me ajudou com o vestido, e desfiz o coque de balé, prendendo os cabelos em um coque com um palito japonês.

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora