parte 2 Capítulo 16

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Luna

Chegamos ao evento. Era enorme, um mar de gente, o burburinho me atingindo como uma onda. Meu coração batia forte. Eu estava nervosa. Era a primeira vez que dançava com alguém diferente de Jimmy, e a ansiedade me corroía.

— Lu, quer desistir? — perguntou Ethan, percebendo meu estado.

— Não, eu só... Estou com medo que Jim descubra e fique chateado comigo ou com você — confessei, a voz embargada.

— Acho que está fazendo um bicho de sete cabeças, Jimmy é nosso amigo — ele tentou me acalmar.

— Por isso mesmo — insisti, o medo me dominando.

De repente, uma voz amplificada ecoou pelo salão: "PEÇO AOS PARTICIPANTES QUE TERMINEM SEUS REGISTROS!"

— Vamos! — Falei, puxando Ethan em direção à fila, o pânico me impulsionando.

Havia um garoto anotando os nomes, discutindo alguma coisa com alguém em um fone de segurança. Chegou a minha vez.

— só um minutinhos, boneca! — ele disse com um sorriso cafageste.

Uma mulher, incrivelmente parecida com ele, se aproximou da mesa.

— Qual o problema? — ela perguntou, a voz grave.

— Já resolvi, mãe, está tudo ok — ele respondeu, apressado.

— Está bem! — a mulher me olhou, e um vinco se formou em sua testa.

— Seu nome, boneca? — o garoto insistiu.

— Luna Cooper Blackwood — respondi, o tom firme.

— Blackwood? — a mulher perguntou, com um interesse súbito e incômodo. — É filha de Taylor Blackwood?

— E de Maia Cooper Blackwood! — completei, orgulhosa.

— Da bailarina gorda?! — a pergunta saiu como um veneno, e meu sangue gelou.

— Minha mãe não é gorda, e mesmo que fosse não deveria chamar as pessoas assim! — rebati, a raiva subindo à cabeça.

— Hummm, você é bem filha da sua mãe mesmo! — ela disse com desdém. — Mesmo sendo a cara do seu pai, tem o gênio prepotente.

— Prepotente? Eu? — ia explodir.

Ethan segurou meu ombro, me virando para encará-lo. Congelei. Atrás dele, estava meu pai, os olhos fixos na mulher.

— Algum problema com a minha filha, Janes? — a voz de meu pai era calma, mas a tensão era palpável.

— Wood, quanto tempo — ela ronronou, um sorriso forçado nos lábios.

— É, parece muito tempo.

— O tempo só fez bem a você... — ela tentou seduzir.

— Já para você não dá para dizer o mesmo! — uma voz forte e familiar ecoou do meu outro lado. Meu coração parecia que ia sair pela boca. Era minha mãe, Maia! — Por que voltou? Este festival estava tão bom sem você, Janes.

— Maia Cooper... Então conseguiu emagrecer?! — Janes a provocou.

Minha mãe riu, uma gargalhada que eu nunca tinha ouvido, cheia de confiança e deboche.

— Passa o tempo e o seu recalque só aumenta, não é mesmo? — Minha mãe se virou para o garoto da mesa. — Algum problema com a inscrição da minha filha, gracinha?!

— Ah, nã-não — ele gaguejou, intimidado.

— Que bom!

A mulher não parava de olhar para o meu pai, e aquilo começou a me irritar profundamente.

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora