Luna
Chegamos ao evento. Era enorme, um mar de gente, o burburinho me atingindo como uma onda. Meu coração batia forte. Eu estava nervosa. Era a primeira vez que dançava com alguém diferente de Jimmy, e a ansiedade me corroía.
— Lu, quer desistir? — perguntou Ethan, percebendo meu estado.
— Não, eu só... Estou com medo que Jim descubra e fique chateado comigo ou com você — confessei, a voz embargada.
— Acho que está fazendo um bicho de sete cabeças, Jimmy é nosso amigo — ele tentou me acalmar.
— Por isso mesmo — insisti, o medo me dominando.
De repente, uma voz amplificada ecoou pelo salão: "PEÇO AOS PARTICIPANTES QUE TERMINEM SEUS REGISTROS!"
— Vamos! — Falei, puxando Ethan em direção à fila, o pânico me impulsionando.
Havia um garoto anotando os nomes, discutindo alguma coisa com alguém em um fone de segurança. Chegou a minha vez.
— só um minutinhos, boneca! — ele disse com um sorriso cafageste.
Uma mulher, incrivelmente parecida com ele, se aproximou da mesa.
— Qual o problema? — ela perguntou, a voz grave.
— Já resolvi, mãe, está tudo ok — ele respondeu, apressado.
— Está bem! — a mulher me olhou, e um vinco se formou em sua testa.
— Seu nome, boneca? — o garoto insistiu.
— Luna Cooper Blackwood — respondi, o tom firme.
— Blackwood? — a mulher perguntou, com um interesse súbito e incômodo. — É filha de Taylor Blackwood?
— E de Maia Cooper Blackwood! — completei, orgulhosa.
— Da bailarina gorda?! — a pergunta saiu como um veneno, e meu sangue gelou.
— Minha mãe não é gorda, e mesmo que fosse não deveria chamar as pessoas assim! — rebati, a raiva subindo à cabeça.
— Hummm, você é bem filha da sua mãe mesmo! — ela disse com desdém. — Mesmo sendo a cara do seu pai, tem o gênio prepotente.
— Prepotente? Eu? — ia explodir.
Ethan segurou meu ombro, me virando para encará-lo. Congelei. Atrás dele, estava meu pai, os olhos fixos na mulher.
— Algum problema com a minha filha, Janes? — a voz de meu pai era calma, mas a tensão era palpável.
— Wood, quanto tempo — ela ronronou, um sorriso forçado nos lábios.
— É, parece muito tempo.
— O tempo só fez bem a você... — ela tentou seduzir.
— Já para você não dá para dizer o mesmo! — uma voz forte e familiar ecoou do meu outro lado. Meu coração parecia que ia sair pela boca. Era minha mãe, Maia! — Por que voltou? Este festival estava tão bom sem você, Janes.
— Maia Cooper... Então conseguiu emagrecer?! — Janes a provocou.
Minha mãe riu, uma gargalhada que eu nunca tinha ouvido, cheia de confiança e deboche.
— Passa o tempo e o seu recalque só aumenta, não é mesmo? — Minha mãe se virou para o garoto da mesa. — Algum problema com a inscrição da minha filha, gracinha?!
— Ah, nã-não — ele gaguejou, intimidado.
— Que bom!
A mulher não parava de olhar para o meu pai, e aquilo começou a me irritar profundamente.
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Amor Secreto - Degustação
RomanceNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
