— Bom dia, dia! Obrigado por mais um ano de vida! — Sussurrei, o coração explodindo em gratidão sob o sol que mal rompia.
Jey desceu do Jeep, os braços abertos em um convite irrecusável. Corri para ele, mergulhando em um abraço que me tirou do chão. Ele me girou no ar, o cheiro dele, tão familiar, preenchendo meus pulmões, fazendo cada célula do meu corpo se arrepiar. Um milhão de memórias e a promessa de um dia perfeito.
— Pronta para gazear aula? — A voz dele, grave e divertida, era música para meus ouvidos.
— Vamos!
Na parte de trás do Jeep, caixas térmicas denunciavam a surpresa.
— O que tem aí?
— Comida. Vamos acampar por algumas horas!
— Não acredito que você vai me levar na cachoeira?! — A alegria explodiu em mim, um grito de descrença e pura felicidade. Meus olhos se arregalaram, brilhando.
— Vou! Eu te prometi que um dia te levaria, só me desculpa por demorar tanto!
— Está desculpado! Ah, não acredito, sempre quis ir lá! — A emoção me sufocava, as lágrimas de felicidade quase borbulhando.
— Eu sei!
Depois de uma hora de carro, a estrada virou trilha, e a cachoeira surgiu, um véu de água prateada. Por ser dia de semana, o paraíso era só nosso. Ninguém. Um milagre. A brisa fresca da água me abraçou, e uma paz profunda se instalou no meu peito.
— Longe dos holofotes! — Jey sussurrou, um sorriso cúmplice que só nós dois entendíamos.
— Obrigadooooo! — Falei, apertando-o em um abraço esmagador, sentindo a energia pulsante daquele lugar sagrado.
Jey desceu as coisas do Jeep e, juntos, levamos tudo até a beira do lago, formado pela cachoeira que, embora não fosse imensa, era perfeita. Nos acomodamos, o silêncio da natureza nos envolvendo.
— Pronto, agora vamos nadar!
— Não trouxe biquíni! — meu sorriso era cúmplice.
— Nem eu! Agora tira a roupa. Hoje vamos começar com seus dez anos, ainda somos inocentes, ok? — Um brilho travesso em seus olhos me fez rir. A inocência da nossa infância, resgatada em um instante.
— Tá! — Falei, a risada preenchendo o ar. Tirei meu vestido, ficando apenas com as roupas íntimas. Jey fez o mesmo, ficando em suas cuecas boxer. Ele me pegou no colo, e meu coração disparou, ele me levou até o meio do lago. — Deve estar gelada! — O arrepio já me percorria.
— Muito! Agora decide: quer entrar devagar ou rápido?
— Rápido!
Jey não esperou, e se jogou comigo no colo. O choque foi rápido, uma onda gélida que me roubou o fôlego. Mas o corpo dele, colado ao meu, me aqueceu de imediato, uma chama se acendendo. Eu sorri nervosa, a proximidade era inebriante.
— Sei que passamos alguns anos longe um do outro, mas quero comemorar cada ano que perdi!
— E como pretende fazer isso?
— Eu trouxe vários bolinhos!
— Jey! — Meus olhos brilharam de surpresa e puro encanto.
— Foi o jeito que encontrei!
Brincamos na água como crianças, a alegria pura e desimpedida da nossa juventude perdida, agora reencontrada. Depois, nos sentamos abraçados e enrolados em uma toalha, o corpo dele contra o meu, uma fonte de calor, segurança, e um porto seguro que eu precisava tanto.
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Amor Secreto - Degustação
RomanceNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
