Jimmy
Bem na hora, passaram dois caras com as calças quase no joelho. Aquele tipo que busca encrenca.
— Olha só as bichonas abraçadas — disse um deles, com um tom de deboche.
— Dois viadões — completou o outro.
— Como é que é? — disse Guto, tirando o braço de cima de mim, a raiva acendendo em seus olhos.
— Está a fim de encarar, bichona?! — provocou o que começou a confusão.
— Guto?! — tive uma ideia, então rosnei como quando eu era capitão do time. — O que nós somos?
Guto se deu conta, me olhando. Os dois idiotas se aproximaram.
— É agora que os putos se beijam?! — o segundo provocou.
— Monstros! — Guto murmurou, o olhar fixo nos provocadores.
— O que nós somos? — rosnei mais alto, sentindo a adrenalina subir.
— Monstros! — Guto gritou, a voz poderosa.
— É, somos...
"Monstros!" — Gritamos juntos, e a sincronia nos uniu.
Nos batemos de peito como antes dos jogos, e então saímos correndo atrás dos dois que juntaram as calças e correram como o Papa-Léguas.
— Corre não, volta aqui pra eu te mostrar o tamanho do monstro! — gritou Guto, e eu comecei a rir, uma risada que vinha da alma.
Fomos para o carro às gargalhadas, a energia da brincadeira dissipando a tensão.
— Quer uma carona pra aula amanhã? — perguntei, ainda rindo.
— Pode ser, o carro fica pronto depois do meio-dia — ele respondeu.
— Te levo pra pegar o carro também — ofereci.
— Valeu, quer tomar café da manhã lá em casa? A mãe tem reclamado que tu não aparece — Guto convidou, e eu vi uma oportunidade.
— Claro — respondi. Era uma chance que eu tinha também de tirar a limpo essa história toda. Devia ter algo no quarto do Ethan que o entregasse.
— Ethan fez a tatuagem que tanto queria? — Joguei verde, fingindo desinteresse.
— Fez escondido, se a mãe chega a pegar, arranca o couro dele — um calor me inundou. Então era ele.
— O que ele tatuou? — tentei parecer casual.
— Sei lá, não vi... — Guto suspirou. — Jim, esquece essa história de carta e de Sol, esquece isso tudo, só te faz mal.
— Vou tentar! — falei, a voz embargada pela mentira.
— Por favor?! — ele insistiu, o olhar preocupado.
— Eu vou tentar — prometi, sentindo um peso no peito.
. . .Luna
Deitei ao lado de Ethan e dormi abraçada nele, sentindo-me segura. O despertador tocou, e eu o senti debaixo de mim, seu corpo reagindo ao meu.
— Já tentei levantar três vezes! — sussurrou ele, a voz rouca de sono.
— E por que não levantou? — beijei seu peito, sentindo a pele morna.
— Porque você me prendeu com braços, pernas e coração — ele sorriu, e levantei a cabeça para olhá-lo, ganhando um beijo na testa. Só então me dei conta de que realmente eu o estava prendendo: minha perna estava enlaçada na dele, e minha mão segurava seu bíceps. Aproveitei para dar mais um apertão nele e subi para cima dele.
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Amor Secreto - Degustação
Roman d'amourNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
