Capítulo 23

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— Shiii, não precisa falar mais! — sussurrei, sentindo as lágrimas dele molhando meu ombro. 

— Está tudo bem... Eu preciso contar o resto... — A voz dele era um fio, mas firme. Ele pegou meu rosto em sua mão, tentando achar meus olhos na escuridão do quarto. — Eu nunca contei isso a ninguém! — sussurrou ele. — Você é a primeira e única pessoa que confio! 

— Fico lisonjeada! — A confissão me tocou profundamente.

Ele soltou meu rosto e seguiu, a voz agora um pouco mais clara, como se o peso da verdade estivesse finalmente começando a se dissipar.

— Quando acordei, tinham enfermeiros em minha volta me colocando na maca. Disse que estava bem, tentei me levantar e não consegui. Me levaram pro hospital para fazer exames. Eu pedia pra ver minha mãe, sabia que ela iria ser presa, mas mesmo assim era minha mãe. Um médico e um policial entraram com uma enfermeira e me deram a pior notícia do mundo: minha mãe havia se suicidado segundos depois de escrever uma carta e ligar pro hospital avisando que eu estava desmaiado no chão da cozinha. Eu estava só e desesperado. Eles me sedaram por algumas horas, mas aquilo não me acalmaria para sempre. Minha mãe escreveu uma carta pedindo perdão a mim, e outra carta pedia à justiça que me independizasse, pois eu teria dinheiro suficiente para iniciar minha vida e que eu já era responsável por mim mesmo. Um advogado amigo de minha mãe me ajudou e consegui a independização, mas eu estava só, essa sensação é a pior de todas... 

— Te entendo mais do que você possa imaginar! — sussurrei, a dor dele ecoando na minha alma.

Ele chorou por algumas horas, os soluços diminuindo até adormecer em meus braços. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para meu pai.

Eu: pai Taylor está com uns problemas emocionais e vai dormir aqui em casa hoje, não se preocupe comigo vou me manter pura e virgem pela eternidade!

Ele digitava e apagava, fala sério, odiava quando ele fazia isso.

pai: Ok, Taylor é um bom rapaz, mas diz pra ele que se ele te tocar é um cara morto!

Eu sorri, imaginando a preocupação dele.

Eu: Ele já está dormindo, ninguém pode fazer nada dormindo!

pai: Ok, vou aproveitar que não está só e volto amanhã então!

Eu: Você sempre volta no outro dia de manhã!

pai: Então vou chegar a tarde!

Eu: Se quiser pode passar o dia todo aí com a Liz, amanhã vou sair cedo!

Ele começou a escrever e apagar umas 10 vezes, e eu sorri, o imaginando sem saber o que escrever.

pai: Durmam bem!

No final das contas, ele me mandou só um boa noite. Eu sorri, me levantei e fui escovar os dentes, coloquei meu pijama, dei uma pipoca para o Toddy e voltei para a cama. Me aconcheguei, abraçando Taylor. Ele estava com a respiração pesada. No meio da madrugada, acordei com o barulho de um raio que atingiu a fiação bem perto de casa, e a luz se foi. Taylor acordou com o barulho. Tentei fingir que estava dormindo e o abracei mais forte ainda.

— Mia, tenho que ir! — sussurrou ele, a voz um pouco preocupada. 

— Não tem não! 

— Seu pai vai chegar e... 

— Já avisei ele que você vai dormir aqui comigo. 

— E ele permitiu?! 

— Claro, você sabe como os homens têm medo de mim! 

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora