— Shiii, não precisa falar mais! — sussurrei, sentindo as lágrimas dele molhando meu ombro.
— Está tudo bem... Eu preciso contar o resto... — A voz dele era um fio, mas firme. Ele pegou meu rosto em sua mão, tentando achar meus olhos na escuridão do quarto. — Eu nunca contei isso a ninguém! — sussurrou ele. — Você é a primeira e única pessoa que confio!
— Fico lisonjeada! — A confissão me tocou profundamente.
Ele soltou meu rosto e seguiu, a voz agora um pouco mais clara, como se o peso da verdade estivesse finalmente começando a se dissipar.
— Quando acordei, tinham enfermeiros em minha volta me colocando na maca. Disse que estava bem, tentei me levantar e não consegui. Me levaram pro hospital para fazer exames. Eu pedia pra ver minha mãe, sabia que ela iria ser presa, mas mesmo assim era minha mãe. Um médico e um policial entraram com uma enfermeira e me deram a pior notícia do mundo: minha mãe havia se suicidado segundos depois de escrever uma carta e ligar pro hospital avisando que eu estava desmaiado no chão da cozinha. Eu estava só e desesperado. Eles me sedaram por algumas horas, mas aquilo não me acalmaria para sempre. Minha mãe escreveu uma carta pedindo perdão a mim, e outra carta pedia à justiça que me independizasse, pois eu teria dinheiro suficiente para iniciar minha vida e que eu já era responsável por mim mesmo. Um advogado amigo de minha mãe me ajudou e consegui a independização, mas eu estava só, essa sensação é a pior de todas...
— Te entendo mais do que você possa imaginar! — sussurrei, a dor dele ecoando na minha alma.
Ele chorou por algumas horas, os soluços diminuindo até adormecer em meus braços. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para meu pai.
Eu: pai Taylor está com uns problemas emocionais e vai dormir aqui em casa hoje, não se preocupe comigo vou me manter pura e virgem pela eternidade!
Ele digitava e apagava, fala sério, odiava quando ele fazia isso.
pai: Ok, Taylor é um bom rapaz, mas diz pra ele que se ele te tocar é um cara morto!
Eu sorri, imaginando a preocupação dele.
Eu: Ele já está dormindo, ninguém pode fazer nada dormindo!
pai: Ok, vou aproveitar que não está só e volto amanhã então!
Eu: Você sempre volta no outro dia de manhã!
pai: Então vou chegar a tarde!
Eu: Se quiser pode passar o dia todo aí com a Liz, amanhã vou sair cedo!
Ele começou a escrever e apagar umas 10 vezes, e eu sorri, o imaginando sem saber o que escrever.
pai: Durmam bem!
No final das contas, ele me mandou só um boa noite. Eu sorri, me levantei e fui escovar os dentes, coloquei meu pijama, dei uma pipoca para o Toddy e voltei para a cama. Me aconcheguei, abraçando Taylor. Ele estava com a respiração pesada. No meio da madrugada, acordei com o barulho de um raio que atingiu a fiação bem perto de casa, e a luz se foi. Taylor acordou com o barulho. Tentei fingir que estava dormindo e o abracei mais forte ainda.
— Mia, tenho que ir! — sussurrou ele, a voz um pouco preocupada.
— Não tem não!
— Seu pai vai chegar e...
— Já avisei ele que você vai dormir aqui comigo.
— E ele permitiu?!
— Claro, você sabe como os homens têm medo de mim!
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Amor Secreto - Degustação
RomanceNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
