Capítulo 6

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Minha vida virou de cabeça para baixo — e de um jeito bom. De repente, sou professora de dança, tenho a melhor mestra de balé do mundo, estou mais perto de Jey (mesmo com ele mantendo aquela distância intrigante) e ainda sou líder de torcida. Onde fica o tempo pra mim? Não fica, e, honestamente, isso é ótimo. Sem tempo para problemas, sem espaço para aquelas lembranças horríveis que assombram meus dias. Daqui a pouco, vou para a casa da minha professora, Liz.

— Como estou? — meu pai perguntou, descendo as escadas. Ele parecia um pouco nervoso. 

— Um gato! Periga até a Liz se apaixonar por você! 

— Sei. Quantos anos ela tem, 80? 

— Não sei, pode até ter, mas é deslumbrante e super bem cuidada. Eu diria uns 50, no máximo! 

— Ah, tá valendo! 

— Vamos. Por favor, seja educado com ela! 

— Desde quando sou mal-educado? 

— Não sei, nunca convivi tanto tempo com você para saber! 

— Ok, você venceu. Agora vamos!

Subimos no carro e seguimos para a casa dela. Era uma mansão, com um luxo que parecia vir de outra época. Outro carro já estava estacionado.

— Não sabia que tinha mais gente! 

— Nem eu! Como estou? — Começando ficar nervosa.

— Está bem!

Alisei meu vestido, tentando disfarçar qualquer amarrotado invisível. Meu pai me ofereceu o braço dobrado, e eu aceitei, encaixando o meu. Ele tocou a campainha, e, por algum motivo, eu estava ansiosa e estressada com aquele jantar. Um mordomo abriu a porta.

— Boa noite, sejam bem-vindos! 

— Boa noite! — meu pai respondeu. 

— Boa noite e obrigada! — falei.

Entramos e fomos recebidos por Liz, que me abraçou com carinho. Depois, apresentei meu pai, que ficou de queixo caído – claramente esperando uma senhora idosa e encontrando uma bailarina elegante. Ela nos guiou até a sala de jantar, onde um senhor estava sentado em uma cadeira de rodas e um rapaz, de costas.

— Meus convidados chegaram! — Liz anunciou, com a voz vibrante.

O rapaz se levantou, e meu coração disparou. Com um sorriso lindo, ele me cumprimentou. O senhor na cadeira de rodas se virou para mim.

— Boa noite!

Nos cumprimentamos rapidamente.

— Mia, este é meu amigo Mário. Ele é quem mantém nossa escola! 

— É um prazer finalmente conhecer o senhor! — falei, apertando a mão dele. 

— O prazer é meu! — disse o senhor, com um bigode bem cuidado. 

— Oi, Jey! — falei, um calor se espalhando em mim. 

— Oi, Mia! 

— Essa é a moça? — Mário perguntou a Jey.

Jey fez uma careta divertida para Mário, e eu ri.

— Tem razão, ela é linda! — Mário comentou, sem rodeios. 

— Já se conheciam? — Liz perguntou, surpresa. 

— Oi, Jonas! — meu pai disse, estendendo a mão para Jey. 

— Oi, Fernando! — Jey respondeu, cordial. 

— Que bom, todos se conhecem! Vamos jantar! — Liz estava radiante.

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora