No fim da última aula, peguei os rolos de papel pardo que comprei para cobrir as janelas do estúdio. Estava colando a primeira folha quando vi Taylor com o rosto colado no vidro, seus lábios se destacando em um sorriso enorme. Comecei a rir.
— Vem me ajudar?! — gritei para ele. Ele não deve ter me ouvido por causa da música, mas leu meus lábios.
Taylor veio e me ajudou a cobrir cada centímetro das janelas com papel pardo, sem deixar nenhum espaço à mostra.
— Pronto! Quero ver me filmar agora! — falei, colocando as mãos na cintura, satisfeita.
— Deixa! — ele riu.
— Vamos, aposto que veio me dar uma carona!
— Garota esperta! — disse ele, me abraçando de lado. — Pode usar a sala mais um pouco?
— Posso, por quê?
— Quero te mostrar uma coisa. Ah, conseguiu falar com seu pai?
— Eu vou, se me contar onde vamos!
— Isso não vale!
— Então não vou.
— Vou te levar para dançar!
— Onde?
— No estúdio da minha ex-professora. Vai rolar competição de kizomba, e nós nos inscrevemos!
— Eu não sei dançar kizomba! Vamos perder!
— O importante não é ganhar, é se divertir! Vem, vou te mostrar um vídeo!
Os corpos se moviam em perfeita harmonia, um abraço apertado que parecia contar uma história. Os quadris giravam, os pés deslizavam, e eu sentia um calor estranho me invadindo. Era mais do que dança, era uma conexão, uma intimidade de deixar sem fôlego. Olhei para Taylor, e ele sorria, um brilho travesso nos olhos. Senti um frio na barriga. Será que era isso que ele queria? Criar essa faísca entre nós? A música me envolvia, e eu me perdia olhando os movimentos sensuais, na paixão que emanava da tela. Engoli em seco. Kizomba... era quente, era intenso, era... perigoso.
— Vou ficar com câimbra nos quadris! — soltei, tentando quebrar o calor estranho que acendeu em mim depois de ver aquele vídeo de Kizomba.
— Vai nada! Vem, vamos tentar!
Taylor colocou a música "Despacito" para tocar no celular e tentou me ensinar os primeiros passos.
— Tay, isso é mais do que sexy, chega a ser constrangedor!
— É só uma dança sexy, é como fazer amor só que sem fazer de verdade!
— Ok!
Começamos a dançar. Taylor me segurava firme em seus braços para me conduzir. Confesso que a perna dele no meio da minha foi muito constrangedora e estranha, mas o movimento, no fim das contas, até que era legal.
— Precisa ser o tempo todo colado assim?
— Não, você pode girar e fazer movimentos separados também, só tem que se mexer em sintonia um com o outro!
— Então, posso colocar um pouco do que eu sei de street dance misturado?
— Nunca tentei! — disse ele, curioso.
— Deixe-me tentar e tente me acompanhar!
Até que ficou legal. Estávamos dançando quando vi um vulto na porta. Que susto! Levei a mão ao peito, me segurando.
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Amor Secreto - Degustação
RomanceNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
