Capítulo 9

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Antes da última aula, aproveitei para ir a um salão de beleza a poucas quadras dali.

— Olá, em que posso ajudá-la? — perguntou a recepcionista, com um sorriso educado.

— Oi, tenho duas horas antes de dar uma aula e queria dar um jeito no meu cabelo. Será que tem algum horário? — perguntei, esperançosa.

— No momento, estamos cheios...

— Maia? — A voz familiar me fez virar. Era Driel, meu aluno da noite.

— Driel! Que surpresa boa! O que faz aqui?

Ele sorriu, os olhos brilhando. — Estou trabalhando com minha mãe, sou aprendiz por enquanto, mas já dá pra juntar um dinheirinho!

Virei-me para a recepcionista, com uma ideia repentina. — Moça, eu quero fazer meu cabelo com ele, pode ser?

Ela hesitou por um segundo, depois assentiu. — Pode!

Driel me olhou, um misto de surpresa e nervosismo. — Maia, eu sou iniciante!

— Não importa! — garanti, com um calor no peito. — Confio em você, assim como você confiou em mim como professora!

— Então, vamos! — ele me guiou até uma cadeira vaga no fundo do salão. — O que você quer fazer?

— Qualquer coisa! Tenho uma apresentação de balé para uma pessoa importante amanhã e vou fazer o coque tradicional. Mas não sei o que fazer antes... talvez uma hidratação?

Ele riu, os olhos cheios de malícia. — Dá pra fazer outras coisitas mais, vou te deixar linda!

— Sabe que tenho menos de duas horas, né? — alertei, um pouco apreensiva.

— Sei! — ele piscou. — Já saímos daqui juntas!

— Driel, você é gay? — a pergunta escapou antes que eu pudesse segurá-la.

— Ai, que direta!

Eu ri, meio sem graça. — Me desculpe!

— Tudo bem! — ele relaxou. — Eu sou sim, minha mãe já sabe!

— E como se sente com isso?

— Passo por alguns preconceitos, assim como todos os gays, mas levo numa boa!

— Sei como é... — suspirei. — Ser gordinha no mundo da dança não é fácil. Eu ouço tantas idiotices desde pequena!

— Ai, amiga! — ele exclamou, indignado. — Você não é gorda, nem barriga tem, você é gostosa!

— Quando sento, tem dobrinhas, ó! — Apontei para minha barriga, apertando as dobras.

Driel riu descarado, uma gargalhada contagiante. Ele transformou meu cabelo em pura seda. Driel não queria me cobrar de jeito nenhum, mas insisti, dizendo que ele merecia e que, de agora em diante, só faria meu cabelo com ele. Saímos juntos para a aula, fiz um rabo de cavalo rápido e, como se diz, "fui à luta".

Na saída, enquanto eu caminhava até o ponto de táxi...

— Maia?

— Ai, não acredito! — bufei, irritada vendo-o cruzar meu caminho. — Fala sério, Taylor, até aqui?!

— Qual é, não precisa falar assim também! — ele fez uma cara de magoado que, confesso, quase me fez rir.

— Tchau, Taylor! — Falei seguindo meu caminho.

— Espera! Onde vai?

— Pegar um táxi!

— Vamos dividir um? — Seguiu ele aumentando o passo pra me acompanhar.

Amor Secreto - DegustaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora