Capítulo 18

1.5K 173 16
                                        

Acho que os meninos não fariam isso comigo, são meus amigos. Estava colocando Toddy na bolsa para sair e pensando na maldita carta, sai na rua com um suspiro pesado.

— Bom dia, dia! — Murmurei meu mantra mesmo sem vontade.

Taylor já me esperava na frente de casa. Entrei no carro e ele me deu um beijo de bom dia, um toque leve que aquietou meu coração agitado. 

— O que tens? — Sua voz carregava uma preocupação genuína. 

— Nada, acho que é o cansaço mesmo! — menti, a palavra pesando na minha língua. 

— Mia!? — O tom dele era um alerta. 

— Verdade! 

— Você pode mentir para si mesma, mas não consegue mentir pra mim! 

— Por que não?! 

— Porque sou muito melhor mentiroso do que você! — Aquelas palavras me atingiram em cheio, fazendo meu coração se apequenar. Aquele era o Taylor que eu conhecia, o que me machucava. 

— Já mentiu pra mim? — A pergunta escorregou antes que eu pudesse contê-la. 

— Já! — A confissão veio sem hesitação. 

— Posso saber no quê? 

— Já te chamei de um monte de coisas que eram mentiras! — Ele me olhou, e um turbilhão de emoções passou por seus olhos. 

— Tay, eu sou pelo menos a metade das coisas que você me chamou... 

— Mas quando saíam da minha boca não eram verdadeiras! — A voz dele era firme, quase uma súplica. 

— O que mais mentiu pra mim? 

— Humm, acho que é só isso! — Ele evitou meu olhar. 

— Mentiu pra mim quando disse que queria ser meu amigo?

Ele parou o carro abruptamente, o silêncio se estendeu. Então, virou-se para mim, seus olhos fixos nos meus, uma intensidade que me fez prender a respiração. 

— Sim! — A palavra ecoou na pequena cabine do carro, esmagando o ar entre nós. 

— Po-por quê? — A pergunta mal saiu. 

— Eu não quero ser só seu amigo, quero ser algo mais que seu amigo!

Meu mundo cambaleou. Taylor. Aquela revelação. 

— Taylor... 

— Eu vou esperar, um dia talvez você se apaixone por mim! — Seus olhos imploravam. 

— E se isso não acontecer? 

— Me contento com a sua amizade! — disse ele, virando-se para a frente, a voz perdendo o brilho. 

— Acabou de mentir pra mim, não é? 

— Sim! — Ele admitiu, a voz baixa, quase um suspiro. 

— E posso saber o porquê disso tudo? 

— Não sei, amor talvez seja a palavra certa! — Seus olhos se cravaram nos meus novamente, e uma faísca de esperança cintilou ali. 

— Como, Taylor? O que eu tenho de especial? 

— Tudo! — A resposta veio rápida, categórica. 

— Aff, assim não dá pra conversar com você! — cruzei os braços, emburrada, mas um calor estranho se espalhou pelo meu peito. 

— Isso é uma das coisas que mais amo em você! — disse ele ligando o carro e seguindo até a escola. — Seu gênio é sua melhor parte! 

— Você gosta de me ver irritada!? 

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora