Capítulo 27

1.3K 163 40
                                        

— Quero dormir todos os dias no sofá! — murmurou ele, rouco, e a voz profunda me envolveu como um cobertor.

Eu estava atrás dele, abraçando-o com um braço e uma perna, sentindo o calor do seu corpo. Ele deslizou a mão pela minha panturrilha, que repousava sobre a coxa dele, e um arrepio instantâneo percorreu minha espinha. Tay não estava apenas mexendo com meus sentimentos; meu corpo inteiro respondia a ele, em uma sintonia que me pegava de surpresa.

. . .

O domingo em casa tinha sido um refúgio. Passei o dia apenas com a camiseta dele, e ele, descontraído, só de bermuda. Mergulhamos em mundos virtuais nos videogames, travamos uma hilária guerra de travesseiros e até nos aventuramos na cozinha, resultando em um bolo solado, mas cheio de risadas. Foi no meio dessa bolha de felicidade que o celular tocou, exibindo o nome da Rita.

— Fala sério, Maia! — a voz dela explodiu do viva-voz. — Fala que é mentira que tu casou com o Taylor!

— É mentira! — respondi, tentando soar convincente, mas meu coração já estava acelerado.

— Olha o site!

— Não, me recuso! — A ideia de ver meu nome atrelado a um casamento falso era demais.

— Vou ler então — ela insistiu, e ouvi o som de cliques. — "Nossa fofuxa resolveu juntar os trapos com nosso Capitão Taylor! Como será que está o coração do nosso amado Jonas e nossa líder Pri?".

Um suspiro pesado escapou dos meus lábios. — Só estamos dividindo um AP, nada demais, e o Jey sabe!

— Ahh, fala sério, está dividindo mesmo um apartamento?! — A descrença na voz dela era palpável.

— Rita, é só isso! — Tentei colocar um ponto final.

— Posso ir aí visitar vocês?

— Hoje não — respondi, já buscando uma desculpa, meus olhos encontrando os de Tay. — Estamos cheios de coisa pra fazer, e no outro final de semana vou sair!

— Vamos combinar um dia desses então?

Coloquei a mão no celular, sinalizando para Tay me salvar daquela conversa. Ele, percebendo o aperto, não hesitou.

— É, pode ser, outra hora combinamos... — comecei a dizer, quando a voz de Tay ecoou pelo apartamento, um grito propositalmente exagerado.

— Amorr! Vem me ajudar aqui!

— Tenho que matar alguém! Até amanhã, Rita! — Desliguei na cara dela e saí correndo atrás dele, um sorriso inevitável brincando em meus lábios.

— Vou te matar! Era só pra me chamar normal!

Taylor gargalhava, fugindo de mim pelo apartamento, uma energia contagiante que me fazia esquecer de tudo. Consegui pegá-lo no quarto dele, jogando-o na cama com um empurrão divertido. Tay não conseguia parar de rir, mas então, de repente, ele me abraçou, prendendo minhas pernas com as dele. Senti meu corpo aquecer, a vontade de beijá-lo era um ímpeto incontrolável, minha respiração acelerou e ele parou de rir. Ele aproximou o rosto do meu, e por um instante, jurei que nossos lábios se encontrariam. Mas em vez disso, ele lambeu meu nariz.

— Que nojo, Taylor! — Soltei uma risada abafada.

Ele me soltou e saiu correndo de novo, deixando para trás a sensação de um quase beijo e a certeza de um final de semana inesquecível.

. . .

— Sábado que vem, cuida do Toddy pra mim? — pedi enquanto caminhávamos para a escola, a rotina já estabelecida entre nós.

Amor Secreto - DegustaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora