parte 2 Capítulo 23

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Luna

— Eu não sei se tenho cabeça para isso, dinda — murmurou Jim, sentindo o peso do mundo sobre meus ombros.

— Mãe, eu queria conversar com você em particular! — Falei, buscando um refúgio.

— Ok, se livraram de mim... Hoje! — minha mãe brincou, mas a preocupação estava em seus olhos.

— Acho que Augusto não vai querer dançar mais comigo — disse Jimmy, desanimado, a voz quase inaudível.

— Temos um curso final de semana, temos que treinar para não parecermos dois bocós! — tentou animá-los, a urgência em sua voz.

— Vai seguir treinando comigo? — Jimmy perguntou a Guto, a incerteza em seu olhar.

— Eles tem razão, a gente sabe quem a gente é! — Guto respondeu, um novo fôlego em suas palavras.

— Posso dar uma aula para vocês se quiserem... — disse a minha dinda, a generosidade em sua voz.

— Claro... Sogra! — brincou Guto, e um riso escapou dela.

— Ei! — saltou Jim, o empurrando.

— Estava brincando! — Guto se defendeu.

— Vamos! — disse ela, os levando para fora da sala. — Ficaria feliz com você como meu genro. . .

— Mãe?! 

Ela saiu rindo com Guto a acompanhando. O dindo me deu um beijo na cabeça antes de sair, um gesto que me acalmou.

— Quer que eu fique? — perguntou meu pai, sua voz um porto seguro.

— Quero — respondi, precisando deles mais do que nunca.

Meu pai se levantou e foi para o sofá, nos levando pela mão com ele. Papai me sentou em seu colo, e a mamãe puxou minhas pernas para cima das dela, um abraço de conforto em forma de aconchego.

— Estamos te ouvindo — minha mãe disse, a voz suave e acolhedora.

— Eu... Me entreguei a Ethan... Entreguei o meu coração para ele, eu estava com medo e confusa com meus sentimentos por ele. Ethan era um príncipe, e eu não me sentia digna dele — confessei, as palavras escorrendo como um rio.

— Você é uma princesa, minha filha, não pode se sentir assim — meu pai disse, a voz cheia de amor.

— Mas ele me fazia sentir assim, ele tatuou uma Lua no peito escondido da mãe dele, e me dizia coisas tão lindas, e eu não sabia nem onde enfiar aquelas palavras dele, eu sempre dava um jeito de fugir das... Declarações — contei, a dor da lembrança me apertando o peito.

— Parece alguém que eu conheço — disse papai, olhando minha mãe com um sorriso cúmplice.

— Você também era assim, mãe? — perguntei, surpresa.

— Enquanto lutei pelo que sentia por seu pai para não magoar o Jey, sim, eu fazia isso, mas então deixei meu coração decidir — ela respondeu, a sabedoria em sua voz.

— Foi o que eu fiz, deixei meu coração me enganar, ele disse que seria tudo para mim, se eu quisesse ele até viraria professor de dança porque o sonho dele era eu. Começamos a dançar juntos e o ensinei e ensaiei com ele, aí vi um panfleto daquele campeonato, eu queria fazer um teste, para ver se realmente ele estava disposto a dividir os holofotes comigo. Eu não estava mentindo para vocês por mal, eu tinha medo que Jim descobrisse e ficasse magoado — a verdade fluía, pesada e dolorosa.

— E todos os seus medos vieram à tona? — meu pai perguntou, o olhar atento.

— Foram piores... Porque não foram comigo. Eu perdi a confiança nele, e agora eu não sei o que fazer, para que lado tomar — confessei, sentindo-me perdida.

Amor Secreto - DegustaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora