Prólogo

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- Reiner! Reiner! Por favor

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- Reiner! Reiner! Por favor... Você não está me ouvindo?

Minha garganta começa a doer, tantas as vezes em que tentei chamar o garoto na minha frente de volta para a realidade. A mão de Reiner se mantém firme ao redor do meu pulso e ele corre em meio às pessoas desnorteadas e desesperadas que estão sendo evacuadas da cidade. Me esforço ao máximo para acompanhar seu ritmo, entretanto, não tenho certeza sobre o que ele está prestes a fazer.

Posso sentir alguns tremores sob os meus pés, os passos distantes dos titãs que entram nesse momento através da fenda que há pouco foi aberta na muralha, destruindo o distrito de Shiganshina e acabando com um século inteiro em que os humanos se sentiram seguros atrás daqueles muros. A essa altura, boa parte das pessoas já havia passado pelos portões, que não tardariam a se fechar, bloqueando a entrada dos titãs no interior da muralha.

De súbito, Reiner muda nossa rota e para em uma viela, respirando ofegante assim como eu e ainda segurando meu pulso com firmeza entre seus dedos. Olho para o garoto na minha frente, quase que irreconhecível de como era a alguns dias, antes da morte de um dos nossos companheiros. Marcel foi devorado na nossa frente por um titã depois de ter salvo Reiner deste. Desde então os ânimos estavam alterados e decisões horríveis foram tomadas.

Reiner solta meu pulso e coloca as duas mãos nos meus ombros, olhando para mim com atenção.

- Escute, Emily. Você sabe o que fazer, está na hora. - Ele diz sério e engulo a seco.

- E se alguma coisa der errado? - Pergunto tentando manter o tom de voz firme e falhando miseravelmente.

- Não vai dar nada errado. - Ele se endireita, se afastando de mim. - Vamos nos encontrar do outro lado da muralha.

Assento com a cabeça, sentindo meu estômago revirar dentro de mim como que se meus órgãos internos formassem um redemoinho frenético de ansiedade. Reiner é portador do Titã Blindado e sabe o utilizar muito bem. Entretanto, é inevitável para mim pensar em algo terrível como sermos descobertos e mortos nessa ilha, acontecer quando menos esperarmos. O loiro está prestes a caminhar para longe quando dou um passo a frente e o seguro pelo braço, lhe arrancando um "o quê?" confuso e logo em seguida um suspiro de irritação.

- Reiner, espera. Você não precisa...

- Emily, eu já disse antes a você. Está decidido. Annie, Bertholdt e eu precisamos cumprir a nossa missão. - O mais alto bufa. - Agora me solte e vá embora daqui.

- Mas... - Balbucio, sem argumentos para o retrucar. - Marcel não gostaria disso.

- Ele morreu, Emily. E você também vai se não se afastar logo.

Reiner se solta do meu toque com um puxão brusco em seu braço e caminha em direção à rua principal. Ainda perplexa diante de sua grosseria repentina, sinto meus músculos travarem me impedindo de correr para longe dali quando o vejo alcançar a pequena navalha no bolso de sua calça. Ele vai se transformar aqui? Meu corpo parece finalmente perceber o perigo em que está e começo a correr na direção oposta à de Reiner, desejando ser o suficiente para ficar fora do alcance da breve explosão que sua transformação em titã causa.

Mas, não foi.

Sinto como se algo tivesse acabado de me empurrar para a frente e sou lançada a alguns metros no ar, batendo as costas contra uma parede de pedras, de imediato podendo sentir alguma coisa se quebrar dentro de mim. Uma dor aguda se espalha pelo meu tórax e sorrio aliviada ao perceber que pode ter sido apenas uma costela quebrada, mas meus olhos se arregalam e meu peito começa a subir e descer vagarosamente quando percebo que não consigo respirar.

Busco o ar com toda a minha voracidade, sentindo meu coração bater cada vez mais rápido em meu peito e meus olhos arregalados para cima começarem a arder. De súbito minha visão começa a ficar turva e a última coisa que vejo antes de perder a minha consciência é uma sombra que cresce sobre mim.

Surrender I Reiner BraunOnde histórias criam vida. Descubra agora