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Sinto um braço de Bertholdt sobre as minhas costas, me acolhendo em um abraço desajeitado enquanto busco qualquer conforto com o rosto escondido entre seu ombro e a curva de seu pescoço, falhando completamente em o encontrar

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Sinto um braço de Bertholdt sobre as minhas costas, me acolhendo em um abraço desajeitado enquanto busco qualquer conforto com o rosto escondido entre seu ombro e a curva de seu pescoço, falhando completamente em o encontrar. Cerro os dentes ao me obrigar a parar de chorar e com um último soluço arrastado, minhas lágrimas começam a diminuir, diferente da chuva, que se mantém intensa sobre nós. Ao menos me importo com o frio que começo a sentir e com o cabelo grudado em meu rosto assim como as roupas na minha pele.

— Emily. — Escuto a voz de Bertholdt baixa, me chamando com certo receio. — Me perdoe.

Suas palavras me atingem como uma bala em meu peito, fazendo eu me afastar de meu irmão, me colocando de joelhos ao seu lado, encarando seu rosto abatido que devolve para mim um olhar brevemente confuso. Ele faz uma careta de dor ao se arrastar, se sentando enquanto sua perna ainda não está curada.

— Bertholdt. — Digo solene, respirando fundo e apoiando as mãos em minhas pernas. — Eu amo você, não consigo o matar porque é meu irmão. Mas eu não posso perdoá-lo pelo que fez à nossa mãe.

— Alguém a descobriria em algum momento... Todos nós seríamos mortos. — Ele desvia o olhar para a cidade atrás de nós. — Era isso que queria? Que todos terminássemos como nosso pai terminou?

Um gosto amargo se espalha pela minha boca quando me lembro da forma deformada de meu pai, esticando debilmente os braços contra a muralha como se desejasse chegar até nós. O buraco aberto pelo Titã Colossal está ao seu lado, entretanto, a criatura que antes era meu pai se recusa a passar pela passagem, permanecendo ali.

— Isso não importa, você não tem como saber. — Balanço a cabeça devagar. — Você tirou o pouco tempo que ela ainda tinha, Bertholdt. Não era seu direito. Você arruinou não somente a minha vida mas a de Annie também, ela poderia estar vivendo uma vida normal em Liberio se você não tivesse mudado o curso das coisas. — Me levanto devagar, incomodada com a feição horrorizada, os olhos arregalados para mim à simples menção de Annie. — Esse era o fardo da nossa família.

— A Annie... — Ele balbucia, as lágrimas grossas se misturando à chuva que escorre pelo seu rosto.

— Se cristalizou quando a capturamos, Reiner não te contou? — Digo com o cenho franzido, lançando um olhar breve ao garoto que nos encara de longe, junto a Zeke. — Ela está em um porão agora, na muralha Rose.

É impossível não sentir um desconforto em meu peito quando vejo a expressão em seu rosto. Fui a primeira a perceber a forma como meu irmão a olhava, mesmo durante o treinamento e quando viemos para essa ilha. Entretanto, Bertholdt é tímido o suficiente para ter guardado esse segredo apenas para si todo esse tempo.

— Ah, Bertholdt. — Suspiro, me preparando para sair da frente dele. — Deveria ter dito a ela.

— Espere... Onde você vai? — Ele gagueja, agora se levantando de forma desajeitada, ainda não conseguindo apoiar o peso do corpo sobre suas duas pernas.

Surrender I Reiner BraunOnde histórias criam vida. Descubra agora