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Reiner Braun

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Reiner Braun

A brisa da manhã acaricia meu rosto com delicadeza e observo o céu nublado mais acima, anunciando que poderia chover a qualquer instante. Emily se senta do meu lado e escuto o tilintar do pequeno molho de chaves em sua mão enquanto ela o exibe para mim com um sorriso convencido.

–– De onde são essas chaves? –– Pergunto a ela enquanto a garota as guarda de volta no bolso interno da jaqueta do uniforme. Estávamos de folga, mas deveríamos ficar de prontidão caso alguma emergência surgisse.

–– Do armazém. Prometi a Sasha mais cedo, ou ela teria dado uma surra em Armin por ter me chamado naquela hora. –– Emily responde divertida e a acompanho em uma risada fraca, desejando ter visto a cena. Suspiro quando ela continua: –– O que quer me dizer, Reiner? E por que tivemos que vir até o telhado pra isso?

–– Eu gosto de vir aqui. –– Dou de ombros, respondendo a ela de forma sincera. A parte plana do telhado do castelo antigo ficava próximo a uma das torres, não era exatamente o lugar mais confortável do quartel mas foi onde passei boa parte das últimas noites em claro. –– Tem uma vista ampla do campo e faz parecer que está tudo bem, até você começar a pensar na vida.

Emily assente, também olhando em volta. O cabelo castanho de Emily está preso em um rabo de cavalo frouxo e bastante bagunçado, a franja comprida balançando com a brisa ao lado de seu rosto enquanto ela varre a paisagem diante de nós. Não suporto que ela pense ser fraca ou inferior, não quando seu fracasso não foi culpa dela. Bertholdt me fez prometer, me fez jurar que eu jamais contaria isso a ninguém.

Entretanto, as coisas mudaram. Emily sente raiva do irmão pelos motivos errados. Ela acha que Bertholdt a abandonou quando conseguiu o posto de guerreiro, o que não é verdade. Porém me incomoda o fato de que ela o odiará depois do que irei contar.

–– Ainda falta responder outra pergunta. –– Emily questiona e desvio meus olhos dos seus por um instante. –– Por que estava falando daquela forma sobre mim, Reiner? Você está estranho.

–– Falei aquilo porque é verdade, Emily. Você não é fraca. –– Respiro fundo, juntando coragem para trazer as palavras do fundo da minha garganta para a minha boca. –– Desde quando éramos crianças. Você sempre me defendeu de Galliard e dos outros garotos, não tinha uma pessoa em quem você não desse uma surra. Quando estávamos naquela trincheira, você...

–– Não me orgulho disso. –– Ela diz baixo. –– Eu só tinha doze anos, Reiner.

–– A questão não é essa. Você era a favorita deles. Eu via a forma como Sofia olhava para você, era nítido que ela havia escolhido uma sucessora. Magath só sabia falar de você. –– Digo, ainda me lembrando dos guerreiros no fim de seus mandatos que assistiam aos nossos treinamentos para medir nossas habilidades em silêncio. –– Mas... não foi culpa sua Annie ter sido escolhida.

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