E se Reiner Braun tivesse descoberto a tempo que o certo era se render? E se o Titã Blindado entregasse seu coração para a humanidade e lutasse ao lado de Paradis?
Emily é a irmã de Bertholdt Hoover, enviado com seus companheiros para a "Ilha dos...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Distrito de Liberio, ano 845
Meu corpo inteiro treme com o frio que faz essa noite apesar de que estou contente por estarmos de volta à nossa casa. Bertholdt caminha em silêncio ao meu lado e para assim como eu quando chegamos ao portão simples de madeira, encontrando nossa porta entreaberta, revelando a luz da sala de estar acesa Meu coração dispara com a possibilidade de termos sido roubados ou de alguma coisa ter acontecido ao nosso pai enquanto estávamos lutando na fronteira.
— Bertholdt... — O chamo baixo, apertando com força as alças da mochila.
— Vamos entrar, ele deve ter esquecido aberta. — Meu irmão responde tentando soar calmo mas nós dois sabemos que nesse frio, ninguém deixaria a porta aberta por esquecimento.
A neve está alta no quintal e continua a cair sobre as nossas cabeças, levada até nós pelo vento cortante que uiva em meus ouvidos incessantemente. Bertholdt entra na minha frente devagar, os ombros tensos e o corpo rígido, relaxando e fazendo um sinal para que eu entre assim que escuto a voz de nosso pai vinda de dentro de casa, sentindo uma onda de alívio percorrer o meu corpo também.
— Ah, meu filho! Que saudade! — Meu pai abraça o garoto com um sorriso de orelha a orelha no rosto, os olhos pequenos transbordando em alegria. Ele se afasta para olhar para Bertholdt e passa as mãos sobre os fios de cabelo negros desarrumados. — Como foi?
— Não precisaram de mim, no fim das contas. — Ele dá de ombros em resposta, se afastando para que eu possa entrar em casa e fecho a porta logo atrás de mim. — Emily foi bem mais útil do que eu.
Sinto um comichão de entusiasmo se espalhar no meu baixo ventre quando meu pai olha para mim como se estivesse prestes a me elogiar, como se ele fosse me envolver em um abraço caloroso como fez com Bertholdt. Mas minhas expectativas murcham quando seu sorriso some e uma nuvem de desprezo parece pairar sobre seu rosto.
— Eu duvido muito. — Ele diz e se volta para Bertholdt, falando animado sobre a guerra e o que se falava na cidade sobre os guerreiros de Marley.
Sinto meu coração se partir e as lágrimas grossas não demoram a descer pelo meu rosto em silêncio enquanto eu abraço a mim mesma, desejando poder me encolher até desaparecer no infinito. Meu peito queima e o ar parece nunca chegar aos meus pulmões. Ele não sentiu minha falta? Em nenhum momento teve medo de que eu fosse morta por inimigos? As lágrimas escorrem pelo meu queixo e não consigo evitar o soluço alto, sentindo as emoções dentro de mim se tornarem cada vez mais uma bagunça.
Meu choro atrai os olhares curiosos e deixo minha mochila cair sobre o piso de madeira. Meu corpo inteiro está quente devido à raiva que sinto de meu pai nesse momento. Como ele pode me odiar tanto assim por uma escolha que ao menos fui eu quem fiz? Meus punhos se fecham ao lado do corpo e Bertholdt não é rápido o suficiente para me impedir de acertar um gancho de direita em meu pai.