E se Reiner Braun tivesse descoberto a tempo que o certo era se render? E se o Titã Blindado entregasse seu coração para a humanidade e lutasse ao lado de Paradis?
Emily é a irmã de Bertholdt Hoover, enviado com seus companheiros para a "Ilha dos...
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— Emily!
Acordei sobressaltada ao ouvir meu nome ser chamado e me sento na cama rápido, olhando para quem quer que tenha chamado por mim. Mikasa está apoiada sobre um de seus cotovelos, olhando para mim irritada do outro lado do quarto. Achei conveniente o Capitão tê-la colocado no mesmo quarto que eu, afinal, ela não hesitaria nem por um instante em me matar e seu olhar direcionado a mim agora apenas confirma isso.
— Me desculpe, foi só um pesadelo. — Coço a nuca desajeitada e jogo as pernas para fora da cama, sentindo o chão de pedra gelado sob meus pés me causar um breve arrepio. — Vou tomar um pouco de água.
A garota apenas resmunga e volta a deitar. Sinto minhas bochechas queimarem, afinal sei o quanto posso ser barulhenta durante o sono. Depois da morte de nossa mãe, foram poucas as noites em que não acordei a casa inteira chamando por ela durante o sono. Solto um longo suspiro ao hesitar na porta do quarto antes de seguir pelo corredor em direção ás escadas. Estou livre e sou uma cadete da Divisão de Reconhecimento como os outros, mas ainda sinto como se não devesse andar livremente pelo castelo antigo, que também é nosso quartel general.
Mesmo depois de dias após o julgamento e depois da euforia momentânea quando recuperamos Trost usando os titãs de Eren e Reiner para selar o buraco na muralha, minha mente ainda se mantém perturbada com o paradeiro desconhecido de Bertholdt. Ainda é perigoso fazer uma expedição até a Muralha Maria apenas para procurar por ele, e Erwin decidiu que por enquanto apenas observaríamos Annie de longe e criaríamos uma estratégia eficiente para a capturar quando fosse o momento.
— Vadia arrogante. — Resmungo comigo mesma. A garota foi ousada o suficiente para se infiltrar na Polícia Militar do interior mesmo sabendo que eu poderia tê-la entregue.
Entretanto, não é nela que quero pensar enquanto despejo a água fria da jarra de metal dentro de um copo e o levo até a boca, observando sobre o objeto a minha mão, agora melhor e apenas com o dedo indicador enfaixado. Ainda sentia a ponta do meu dedo doer como se ainda existisse e respiro fundo, tentando não pensar naquele dia. Nem mesmo os pedidos de desculpa de Hange enquanto a ajudava a fazer experimentos ridículos com Reiner faria aquela dor sequer diminuir.
Pensar em Reiner também não me ajuda. Independente de qualquer sentimento que eu nutra por ele e o quão aliviada eu esteja por ele ainda estar vivo, não consigo me esquecer do corpo mutilado de Marco e a forma como Reiner olhava para mim quando o encontrei. Eu sabia, não precisava de muito para saber que foi o loiro que o matou, assim como a ideia de quebrarmos a muralha também foi dele. Me pergunto se ele acreditou que Marcel teria feito aquilo quando uma voz diz atrás em mim em um tom solene:
— Deveria estar dormindo.
Me viro de imediato temendo dar de cara com a figura irritada do Capitão Levi, e estremeço desejando que fosse o baixinho quando meus olhos encontram os de Jean, parado no batente da porta me encarando de forma inexpressiva. Não nos falamos nem uma única vez desde o dia do julgamento e assim como todos meus outros companheiros, me evita sempre que eu ou Reiner nos aproximamos durante o treinamento.