Jukhen Silverheart está prestes a adentrar em um novo mundo repleto de desafios monumentais e consequências de peso. Ao perceber que possui habilidades além da capacidade humana, ele é forçado a deixar para trás sua cidade natal e é enviado para o C...
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Desde pequena, eu detestava velórios. Havia algo profundamente perturbador em estar ali, em meio a pessoas em luto, envolta em um silêncio pesado, quase sufocante. O ar sempre parecia mais denso, carregado de uma tristeza que parecia se infiltrar em cada poro. Além do ambiente ser inerentemente sombrio, eu ainda era obrigada a usar vestidos – roupas que eu nunca suportei. O desconforto com o traje apenas amplificava o mal-estar. Para cada velório, eu tinha uma roupa específica, como se cada peça já soubesse o seu destino fúnebre. Mas desta vez, a situação era diferente. A missão inicial era clara: evitar aproximação e contato. Contudo, diante da realidade, eu simplesmente não consegui seguir essas instruções, não quando o coração pesava tanto.
A chuva fina começou a cair, pontuando o ambiente com um toque melancólico. As gotas pequenas e delicadas pareciam um reflexo do meu estado de espírito. Suspirei, sentindo a umidade fria atravessar a barra do vestido que, contra minha vontade, eu usava. Meus cabelos soltos balançavam levemente ao vento, enquanto eu ajeitava as meias-calças pretas que combinavam com o luto. E os saltos... aqueles saltos altos que Summer me forçou a comprar após minha tentativa frustrada de fugir desse funeral. Saltos que mais pareciam um instrumento de tortura.
Olhei ao redor e vi rostos familiares. Mona, Amy, Kurt, Duncan, Lucy, Mary, Pamy... todos estavam lá, imersos na tristeza, compartilhando o peso da perda. A ausência de Jake era palpável, e cada rosto refletia a dor de um adeus que ninguém estava preparado para dar. Sabrina, assim como eu, usava preto, mas parecia que havíamos trocado de papéis: enquanto eu lutava com os incômodos saltos, ela ostentava botas estilosas, o que me fazia questionar por que diabos eu estava presa nessa prisão desconfortável.
Meus pensamentos vagaram para longe, para um tempo em que a perda era uma sensação estranha, mas pessoal. Niall. Lembro-me da primeira vez que meu coração quebrou, não por amor romântico, mas pela sensação de ser abandonada. Ele era meu primeiro amor de infância, o garoto com quem eu e Chloe brigávamos para ver quem se casaria. Quando ele morreu, senti como se o mundo tivesse desmoronado ao meu redor. O que sobrou foi apenas um vazio. Reclusa, me afundei na solidão. Nada parecia valer a pena. Meus amigos tentaram, mas nem mesmo eles conseguiam me arrancar da escuridão. Foi então que conheci Alice e Kazuya, que surgiram na minha vida como uma luz inesperada. Eles quebraram a minha resistência, e hoje Alice é minha melhor amiga, uma verdadeira irmã de coração.