Capítulo Quinze: Os Ceifeiros

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Segunda-feira, sem dúvida, é o dia mais odiado da semana

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Segunda-feira, sem dúvida, é o dia mais odiado da semana. Alguns podem achar isso uma bobagem, mas os jovens não hesitam em expressar seu desdém por esse dia que marca o recomeço de tudo. É um ciclo repetitivo do qual poucos conseguem escapar, especialmente os intrépidos guardas que se mantêm alertas contra problemas noturnos em uma cidade como Crystal City. Essa cidade é um verdadeiro tesouro, repleta de pedras preciosas e, claro, oportunidades para furtos. Construída sobre cristais poderosos, ela amplifica qualquer habilidade de quem os toca, tornando-se um lugar de cobiça e desejo.

Entretanto, a busca pelo cristal rosé, conhecido por sua extraordinária capacidade de aumentar a força humana a níveis inimagináveis, é um desafio. O único local onde pode ser encontrado é o museu central, protegido por soldados valentes, escolhidos a dedo pelo prefeito para defender a cultura de seu povo.

Naquela noite, Carlos se encontrava na frente do imponente prédio, devorando um sanduíche de queijo enquanto tomava um café quente. Era seu intervalo e, embora soubesse que comer daquela forma não era saudável, precisava se manter alerta. O relógio em seu pulso marcava 00:30h, e ele ainda tinha mais 40 minutos de vigilância.

Normalmente, o silêncio era seu único companheiro, acompanhado por jogos de colorir que o ajudavam a relaxar em meio ao estresse de ficar parado por uma hora e meia, esperando que algo acontecesse. Mas então, um som estranho quebrou a tranquilidade da noite. Ele rapidamente sacou a lanterna, iluminando o canto escuro, mas não encontrou nada. Um suspiro de alívio escapou de seus lábios, até que uma risada estranha ressoou pelo ar, fazendo seus pelos se arrepiarem.

Levantando a mão ao coldre, Carlos retirou sua pistola, apontando para a origem da voz.

— Q-Quem está aí? — sua voz tremia, traindo seu medo.

A risada macabra persistiu, ecoando ao seu redor. Ele viu uma sombra se aproximar e, em um ato de desespero, anunciou:

— I-Identifique-se! Ou eu irei atirar!

— Você não devia me desafiar, seu pedaço de lixo... vocês, humanos reles, não entendem o que significa ser um artista — a voz, ameaçadora e distorcida, pertencia a um homem alto, de cabelos rosados e sorriso enigmático. Seu terno colorido só acentuava o medo que Carlos sentia.

— Quem diabos é você?! — berrou, disparando sua arma contra o desconhecido. Para sua surpresa, o tiro não teve efeito.

O homem se aproximou, e a luz da lanterna iluminou seu rosto pálido. Com um toque casual, ele fez a pistola de Carlos derreter, pingando no chão.

Carlos sentiu a temperatura de seu corpo subir, e antes que pudesse reagir, o misterioso homem segurou seu rosto. O calor aumentou, e sua pele saudável começou a desaparecer, dando lugar a uma tonalidade cinza e sem vida. O guarda derretia, uma visão horrenda, enquanto Remiel, o mestre das tintas, gargalhava vitoriosamente, espalhando a tinta acinzentada pelo chão.

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