Nice to meet you

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MIA CLARKE:

Nervosismo. Essa é a palavra que me define neste exato momento. Estamos chegando na casa dos meus pais. Depois de meses fora, em outra cidade, do outro lado do país, voltar para tudo isso é assustador. Ao mesmo tempo, sinto vontade de pular de felicidade a cada segundo que passa.

Billie e os outros ainda dormem. Sou a única acordada. Também, como dormir com a ansiedade à flor da pele? Observo as colinas esverdeadas já tão conhecidas por mim. Mordo o lábio em puro nervosismo, e um gemido baixo escapa quando percebo que me cortei.

Sinto minha namorada se mexer no meu colo e suspiro, tentando estancar o pequeno sangramento na boca.

— Por que está tão tensa? Mia, são apenas seus pais. — A voz rouca de Billie, ainda carregada de sono, me traz para a realidade.

Respiro fundo. Sim, Mia, são só seus pais. Eles são incríveis. Então por que diabos esse nervosismo todo?

Encaro os olhos oceânicos de Billie, que estão mais claros do que o normal por ela ter acabado de acordar. Seu rosto amassado pelo sono me faz sorrir minimamente. Eles vão se dar bem, penso.

— VAMO ACORDAR, CAMBADA! FALTAM POUCOS MINUTOS PRA CHEGARMOS! — Billie grita de repente, fazendo todos no ônibus se assustarem.

Claudia solta uma gargalhada estrondosa, que acaba me fazendo rir também. Em segundos, Finneas se junta a nós, rindo da risada exagerada da namorada. Do outro lado, Patrick nos encara com uma expressão séria, como se dissesse que somos um bando de idiotas. Bom... Ele não está errado.

O motorista avisa que chegamos. Meu coração dispara. Nem espero mais nada, abro a porta e corro em direção à entrada da casa.

De longe, vejo duas silhuetas paradas na varanda. Meus pais. Meu peito aperta, meus olhos ardem. Eu sei que eles estão sorrindo, mesmo que a essa distância eu não consiga enxergar direito.

Duas mãos deslizam pela minha cintura. Olho para o lado e encontro Billie ali, com os cabelos soltos, uma expressão amassada de sono e um boné jogado na cabeça. Sexy.

Balanço a cabeça, afastando esses pensamentos.

— Então você é uma riquinha, Mia Clarke? — Billie provoca, cruzando os braços. — Você me disse que morava numa fazenda, com animais, no meio do nada...

Rio baixo.

— Isso é uma fazenda, Eilish. Você só está vendo a frente.

Meus pais se aproximam. Minha mãe está abraçada ao meu pai, os olhos marejados. A vontade de chorar me atinge em cheio.

Sem pensar duas vezes, corro para abraçá-los. Desabo nos braços deles. Choro como uma criança enquanto minha mãe enche meu rosto de beijos e meu pai ri baixinho da situação.

— Não acredito que você está aqui. — Minha mãe murmura contra meus cabelos.

— Só Deus sabe o quanto senti sua falta. — Ela sorri, enxugando as lágrimas, mas logo sua expressão muda para curiosidade. Seus olhos vão para Billie, que ainda está um pouco atrás de mim.

— Você me mandou uma foto dela... Mas, minha filha, pessoalmente ela é muito mais bonita!

Solto uma risada baixa. Minha mãe abraça Billie com tanta força que a coitada fica vermelha.

— Mãe, pelo amor de Deus, você vai matar a garota! — Falo entre risos.

— Muito prazer! Meu nome é Beatrice... Acho que você é minha nora. — Ela sorri, encarando Billie.

Minha namorada segura suas mãos e beija o dorso com delicadeza. Puxa-saco. Minha mãe já se derreteu inteira, com certeza.

— Muito prazer, dona Beatrice. Meu nome é Billie, a senhora já deve saber.

Olho para o lado e vejo meu pai observando Billie atentamente, tentando manter uma expressão séria para intimidá-la. Quase solto uma gargalhada. Alguém avisa que não funciona?

Eles ficam se encarando por uns dois minutos. Então, para minha surpresa, meu pai dá um passo à frente e sorri.

— Gostei de você, Billie. Sou Jorge, seu sogro.

Minha namorada, que estava mantendo sua pose de durona, relaxa e abraça meu pai.

— OH, MEU DEUS! NÃO É POSSÍVEL! VOCÊ É MAGGIE BAIRD? MAGGIE BAIRD QUE FEZ "A REVANCHE FINAL"? — Minha mãe grita, os olhos arregalados.

Maggie ri e assente.

— Esse é meu filme favorito de todos os tempos! Eu não acredito nisso! Vamos, entrem! Minha casa é sua casa!

Pegamos as malas, e meus pais nos ajudam. Quando entramos na sala, vejo que tudo continua como antes, mas com algumas atualizações. Meus pais logo engatam uma conversa animada com Maggie e Patrick.

— Viu? Não precisava ficar tão nervosa. — Billie sussurra no meu ouvido.

— Cale a boca. — Sorrio, deixando um beijo em seus lábios.

— Mia, seus pais são incrivelmente novos. Estou impressionada. — Claudia comenta, e eu rio baixo.

— Seu pai parece o dono da lancha. — Finneas solta do nada.

A gargalhada coletiva é inevitável.

— Mia, mostre para seus cunhados os quartos onde eles vão ficar. Maggie e Patrick vão comigo até o estábulo. — Minha mãe pede.

Sinto meu coração aquecer. Que saudade disso.

— Sim, senhora! — Brinco, animada, e puxo os outros comigo.

A casa onde cresci é grande. Tem dois andares, cozinha interna e externa, quatro banheiros, um escritório, uma sala de TV, uma de jantar e, no andar de cima, seis quartos. Minha família sempre foi grande, então visitas eram frequentes.

Mostro para Finneas e Claudia o quarto deles, depois o dos pais de Billie. No final do corredor fica o meu quarto, onde Billie e eu vamos dormir.

Abro a porta animada e sorrio ao ver tudo exatamente no mesmo lugar desde a última vez que estive aqui. Me jogo na cama, suspirando. Billie caminha pelo quarto, analisando cada detalhe.

— Não acredito que você era uma Harmonizer! — Ela gargalha alto, apontando para os pôsteres na parede.

Reviro os olhos.

— Qual é... Eu fui uma adolescente feliz.

— Como você ficou quando elas deram um tempo no grupo?

Suspiro, sentindo aquela pontada familiar no peito.

— Chorei por semanas. Doeu ver a Camila saindo primeiro. E eu sei que ela e a Lauren tinham um romance escondido... Dói saber que talvez nem sejam mais amigas.

— Tô vendo que a Lauren é seu xodó.

Assinto.

— Ela é minha amiga. — Billie solta, casualmente.

Congelo.

— O QUÊ?! POR QUE VOCÊ NUNCA ME DISSE ISSO, EILISH O'CONNELL?!

Ela dá de ombros.

— Você nunca perguntou.

Mostro o dedo do meio para ela.

— Acho que a Lauren foi um dos motivos de eu ser gay.

Billie ri baixo.

— Com certeza foi. Mas agora, vamos nos deitar um pouco? Viajar de ônibus é cansativo.

Assinto e me aconchego ao lado dela. Em poucos minutos, o cansaço vence e pegamos no sono.

•••
Vazou minha hamornizer, quem amou?

Se cuidem, amo vocês!!

*a foto da mídia é a casa da mia*

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