Capítulo 2

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— Você chegou! – Beatriz deu um gritinho, me abraçando com força

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— Você chegou! – Beatriz deu um gritinho, me abraçando com força. Os cabelos crespos fizeram cócegas no meu nariz e pude sentir o cheiro doce do perfume que ela usava enquanto passava os braços em volta de seus quadris largos.

— Oi, Bea. – sorri me afastando um pouco.

— Demorou!

— Desculpe, o ônibus atrasou que foi uma beleza. – expliquei. — E tava lotado! Até agredi alguém sem querer...

— Eu vou querer saber disso? – ela perguntou já rindo.

— Ah, não foi nada. Só acertei um cara que estava sentado no preferencial com a bengala, mas foi sem querer. – dei de ombros. — Embora, eu meio que queria ter feito de propósito... Por que as pessoas dormem no preferencial?

— Ele devia tá fingindo, sempre fingem.

— Nah, acho que não. Mas talvez... – hesitei considerando a possibilidade por um instante. — Não. Seria péssimo se ele tivesse fingindo. Eu dei em cima dele depois... Ele tinha uma voz tão bonita!

— Garoto? – sua voz afinou. — Você é a própria definição bater e depois fazer carinho!

— O percurso não foi longo o bastante pra rolar algum carinho. – resmunguei  meio frustrado e voltei ao que importava. — Então, o que tenho que fazer?

— Vem comigo. – a julgar pelo tom de voz, Bea parecia bastante animada.

Segurei pouco acima de seu cotovelo e deixei que me guiasse.

Dava para ouvir o som do trânsito na rua. Sabia que estávamos andando por um dos corredores de livros porque vez ou outra minha bengala encostava em uma das estantes.

— A sala do chefe é aqui no fundo. Último corredor da esquerda pra direita. – Beatriz me explicou. — O Santos não vêm sempre, mas quando vem ajuda a gente. É bem simpático.

— Okay. Aqui não é muito grande, né?

— É um pouquinho. Tem duas salas. Essa que a gente tá agora fica a maioria dos livros, a recepção e os computadores lá atrás pra galera que vem fazer trabalhos escolares. Funciona tipo uma lan house, só que a gente não imprime nada.

— Saquei.

— E a outra sala é onde ficam os livros infantis, tem contação de histórias e vez ou outra, fazemos algum evento por lá. É maior do que essa sala por conta disso. A entrada pra lá fica a direita da recepção.

— Ok.

Bea bateu na porta.

Lá dentro, a voz abafada de Santos disse um "pode entrar."

— Oi, senhor Santos! Esse é o rapaz que eu te falei pra vaga na recepção, o Isaac.

Beatriz colocou a mão sobre a minha, guiando até o encosto da cadeira para que eu pudesse me sentar.

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