Raoni só queria acabar o turno no trabalho e ir para a aula de teatro. Mas, um inesperado e um tanto vergonhoso encontro num ônibus com Isaac, um modelo com deficiência visual, resultou numa história de amor.
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Obra postada...
Bem-vindos ao último capítulo de Luzes e Estrelas. Estou num misto de tristeza e orgulho por termos chegado aqui e espero que esse capítulo não os decepcione.
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Sentei com o Raoni na cama pequena de seu novo quarto. Barry latiu e eu fiz careta. Me agachei para pegá-lo no colo e o pus na cama.
— Como você tá, meu pêssego? – perguntei hesitante.
— Aquela sensação de arrependimento como se tivesse cometido um erro terrível. – murmurou. — Irene e Thiago são incríveis, mas não consigo confiar na minha própria decisão. Uma merda, né? Mas, já tinha tempo que não dava para ficar com ela, então...
— Você fez o melhor.
— Eu espero ter feito. – deitou a cabeça em meu ombro. Sua mão encostou na minha enquanto fazia carinho em Barry. — Talvez se Irene e Thiago não se incomodarem, eu vire tutor temporário de alguns bichinhos da ONG, até terem alguém para adotá-los. Que acha?
— Parece uma boa. – concordei e beijei seu rosto. — Apenas espera até estar aqui há mais tempo.
— Dããã – deu risada. — Sabia que isso costumava ser normal?
— O que?
— Essa coisa toda... Drags acolherem jovens que foram expulsos de casa por fazerem drag ou por serem LGBT. Era normal nos EUA, eram as casas de drag, com mães da drag e tal. Irene que me disse. Elas ensinavam os acolhidos a se montar e cuidavam deles.
— Então, Irene é tipo sua mãe agora?
— Legal, né?
— Bastante.
— Eles já tinham cuidado de outra pessoa antes. – continuou. — Um menino trans que tinha sido expulso de casa, ainda tem algumas roupas dele no guarda-roupa, acho que vou pegar pra mim. Ele tinha bom gosto pra roupa.
— Ele tá bem? – perguntei meio nervoso com o pretérito na frase.
— Hã? Tá sim. Tá fazendo faculdade na Bahia, ele e a Irene ainda se falam bastante.
— Ah, tá. – suspirei, aliviado. — Que legal.
— E você como tá?
Me deitei na cama. O quarto novo do Raoni tinha cheiro de erva-doce. O colchão era um pouco duro, mas nada muito incômodo. Tirei meus sapatos e meus óculos enquanto pensava.
Respirei fundo e me obriguei a ser sincero, já que isso parecia importante para ele:
— Vou ter que correr muito se quiser comprar o remédio esse mês. Devem aumentar a dose depois de eu contar a merda que foi aquele desfile...
— Posso te emprestar um pouco. O dinheiro da boate... Não é muito, mas deve ajudar, né?
Suspirei e balancei a cabeça. Sabia que tinha boas intenções, mas, pegar dinheiro emprestado nunca foi algo que me agradou muito.