Raoni só queria acabar o turno no trabalho e ir para a aula de teatro. Mas, um inesperado e um tanto vergonhoso encontro num ônibus com Isaac, um modelo com deficiência visual, resultou numa história de amor.
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Obra postada...
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— Amorzinho?
— Não. Docinho de coco?
— Não. Mozão?
— Talvez. – Isaac concordou ajeitando o casaco com estampas de manchetes que denunciavam crimes contra LGBTs na época da ditadura militar brasileira. Onde caralhos ele tinha conseguido aquilo e por que não tinha me comprado uma também? — Bebê?
— Eu gosto. – sorri. — Benzinho?
— Muito meloso. Chuchu?
— Fofo. Paixão?
— Pêssego?
— Gatinho? – tentei sem muito mais ideias. O ônibus parou e fiz careta. Tive vontade de pedir ao motorista que não deixasse mais gente entrar porque já estava me sentindo uma sardinha.
Suspirei voltando o olhar para o Isaac, confortavelmente sentado no banco preferencial. Ai que inveja.
— Soa muito... Não-namorado. Tipo, normalmente quem fala "gatinho" nas séries é a namorada do capitão do time de futebol e todo mundo sabe que eles não vão acabar juntos. – deu risada. — Pão?
— Meio anos sessenta. Dengo?
— Mozi?
— De jeito nenhum. – dei risada. — Panda?
— Raposinha?
— Bombom. – parei um instante. — Gostei de pêssego na verdade. Meio diferente, mas de um jeito agradável. Que tal peixe-anjo pra você? Você me chama assim as vezes e eu acho fofo.
Isaac deu risada e estendeu a mão para que eu segurasse. Apesar do ônibus lotado e abafado, me senti bem e feliz ali. Era bom estar com ele.
***
— Tá de bom humor. – Alex riu quando entrou sala onde eu dava banho nos gatinhos resgatados. — Qual a música?
— Como ela sabe que a ama? Como você mostra que a ama? – cantei sorridente.
— Clássico da Disney. – sorriu. — Precisa de ajuda?
— Aceito. – concordei. — Esses aqui estavam dentro das paredes de uma casa. Tão cheio de bichinho, coitados.
— Shampoo anti-pulgas e eles se sentirão melhor. – Alex sorriu e se abaixou diante a caixa de transporte para pegar o outro dos felinos.
Desviei o rosto sem graça quando ele tentou me beijar.
— Eu comecei há namorar essa semana. – expliquei diante suas sobrancelhas arqueadas.
— Ah... Parabéns! – sorriu e colocou o gatinho que tinha pego na bancada ao lado, segurando-o pelo pescoço.
Começou jogando água em suas patinhas bem devagar. Gatos não gostavam de água então molhar aos poucos era melhor do que colocar direto na banheira.