Raoni só queria acabar o turno no trabalho e ir para a aula de teatro. Mas, um inesperado e um tanto vergonhoso encontro num ônibus com Isaac, um modelo com deficiência visual, resultou numa história de amor.
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Obra postada...
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A voz do Raoni no palco era forte, canto maravilhoso. Beatriz deu gritinhos e aplaudiu ao meu lado, murmurando no meu ouvido sobre como ele dançava e perfomava perfeitamente.
Aplaudi de pé quando a apresentação acabou. Meus pais disseram que esperariam do lado de fora e Bea disse que iria procurar algo para comer. Continuei sentado, esperando.
— Oi, meu bem! – sorri ao ouvir a voz do Raoni. — Eu tentei tirar a maquiagem, mas ainda tô muito roxo. Gostou da peça?
— Eu adorei. – sorri, estendi a mão para que ele segurasse e me levantei. O abracei. — Você foi incrível!
— Valeu. – riu baixinho. — Eu tô nervoso pra ir encontrar meus pais. Tenho medo do que vão dizer. Tô me sentindo tão bem... Não quero que estraguem isso.
— Quer que te acompanhe? – perguntei hesitante. — Ou acha que isso pioraria?
— Talvez, mas... Tô mesmo nervoso. Vem comigo.
Sorri e segurei seu ombro. Peguei minha bengala e andei com ele. Continuei elogiando a perfomance e comentando sobre como a peça tinha muito mais músicas do que o filme. Ele disse que era a versão da Broadway e que foi difícil adaptar as músicas, mas que também foi legal. Detalhei minhas partes favoritas pra que soubesse que realmente prestei atenção e percebesse o quão incrível e especial ele tinha sido.
Aprendi com minha mãe que detalhar elogios era importante. Melhor do que dizer a uma criança que o desenho que ela fez estava bonito, era descrever o desenho destacando as melhoras "olha, você conseguiu fazer uma estrela que é uma forma muito difícil de desenhar e quase não saiu das linhas o que também é muito difícil, deve estar muito orgulhosa de si mesma, parabéns." Acho que adolescentes e adultos também mereciam elogios elaborados e não tão automáticos.
— Oi, vó! – Raoni sorriu. Afastei minha mão para que ele pudesse abraçar a avó. — Esse é o meu namorado, Isaac. Oi, pai.
— Ah, ele é... – a voz baixa que eu chuto que era da avó do Raoni sumiu no meio da frase. Crispei os lábios. — Hum... É...
— Cego. – sorri, contive o máximo meu sarcasmo. — É, eu acho que o Raoni já sabe.
Silêncio momentâneo.
— Você foi muito bem, filho. – uma voz masculina disse.
— Sério? Você gostou? – a animação na voz do Rao era contagiante.
— Foi bom. – ele repetiu. — Então, você não se incomoda com essa invenção toda dele?
Demorei um instante para perceber que falava comigo. Inclinei a cabeça.
— Invenção?
— Essa coisa toda que ele quer de se passar por mulher.
— Eu organizei o evento aonde ele vai se apresentar. – contei e apertei um pouco minha bengala.