Raoni só queria acabar o turno no trabalho e ir para a aula de teatro. Mas, um inesperado e um tanto vergonhoso encontro num ônibus com Isaac, um modelo com deficiência visual, resultou numa história de amor.
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Obra postada...
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Isaac
— Você tá quieto. – murmurei no ouvido do Raoni.
Ele apenas encostou mais as costas contra meu peito, o rosto aninhado no meu ombro. As bolhas da hidromassagem acariciavam nossas peles. Enchi a mão em concha com água e derramei sobre seu braço.
— Estou só curtindo o momento. – respondeu simplesmente. Senti ele encostar um morango na minha boca e sorri dando uma mordida. — Como foi aquele casting de vídeo que você tinha dito?
— Acredito que foi bem. Suas dicas foram muito úteis. – cobri a boca para responder, contive um bocejo. — Tinha muita gente com deficiência lá, acho que a ideia é um comercial de dia dos namorados entre uma pessoa com deficiência e uma sem. Mostrando sobre e tal.
— Parece um comercial legal.
— Se for feito direito.
—... Sinto que vai ser hétero.
— Provavelmente. Mas, já vai ser muito ter gente com deficiência. – suspirei. — Eu pesquisei sobre a marca, eles fazem maquiagem, tem QR Code nelas. Achei bem legal.
— Pra que?
— Pra quem é cego. – sorri. — O celular lê o QR Code e diz quais cores tem, onde estão e tal. Melhor pra gente usar. Gostei de ser uma marca dessas.
— Não sabia que existia isso.
— Poucas marcas isso. Ninguém lembra que gente cega pode ser vaidosa. Estão mais interessados em perguntar como mexemos no celular.
— Você é vaidoso pra caralho. – comentou mexendo no meu anel antes de beijar minha mão.
— Sou mesmo.
— E suas roupas são lindas. Eu queria ter roupas bonitas assim, nunca acho essas pra comprar...
— Tem umas que não uso mais, se quiser te dou.
— Virei lixão agora? – Raoni zombou, mas riu antes que eu pudesse me preocupar com a chance de ter me expressado mal. — Eu aceito sim.
Beijei seu ombro, apertei seus braços carinhosamente.
— Vou voltar pra cama. – decidiu, se levantando. — Você devia sair da água. Tá ficando com as mãos todas enrugadas.
— Ah... Mas, tá confortável! Volta aqui...
— Sai.
Suspirei cansado, mas obedeci.
— Toalhas de motel são confiáveis? Deveríamos ter trazido toalhas?
— Deveríamos, mas a limpeza é rigorosa, então acho que podemos usar.
— Ok, toma. – jogou uma toalha em mim, me assustando.