Raoni só queria acabar o turno no trabalho e ir para a aula de teatro. Mas, um inesperado e um tanto vergonhoso encontro num ônibus com Isaac, um modelo com deficiência visual, resultou numa história de amor.
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Obra postada...
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— Então, esse tempo todo eu achava que não conseguia manter uma relação saudável por defeito meu, mas, na real isso é só parte de um transtorno? – perguntei, encostado contra a poltrona do consultório.
— Isaac... – a voz de Vanessa era de censura. — Personalidade Anancástica é um transtorno de personalidade. Você consegue imaginar qual a diferença entre isso e um transtorno depressivo, por exemplo?
— Hum... É mais sério? – chutei.
— Não exatamente. A personalidade é algo que construímos ao longo da nossa vida. E é normal ter traços de perfeccionismo, mas isso vira um transtorno quando esses traços se tornam algo tão grande que começam a te prejudicar ou prejudicar aqueles com quem convive. Um transtorno de personalidade não tem cura, faz parte da sua personalidade e sempre vai fazer, mas com tratamento adequado, vai aprender a contornar esses traços pra não sofrer tanto com eles.
— Então, o que tenho é tipo, quando uma qualidade vira um defeito por ser extremo demais?
— Precisamente.
Suspirei mexendo nos meus anéis.
— Certo. Bom, eu pesquisei sobre. - hesitei, não queria soar como se não confiasse no trabalho da Vanessa, é só que realmente não queria acreditar que tinha um treco sério. A terapia devia cuidar só da minha auto-estima, não me diagnosticar um transtorno de personalidade. — E tem muita coisa com que não me identifiquei, tipo... Eu não sou mão de vaca, mas pelo que li, quem tem isso é.
— Sim, existem muitas características comuns a quem tem TPOC, mas uma pessoa não precisa ter todas para receber o diagnóstico. Na verdade, só precisa exibir quatro de oito características.
— Quais características eu tenho?
Vanessa suspirou. — Você se preocupa muito com detalhes, regras, listas e horários, até que o objetivo do que está fazendo é perdido. Também é muito perfeccionista, ao ponto de às vezes não conseguir concluir certas tarefas porque nunca está bom pra você, a exemplo do seu guarda-roupa que, pelo que sei, até hoje, você não conseguiu acabar de arrumar.
— Eu tô quase. – menti.
— Você se dedica ao seu trabalho ao ponto de prejudicar seu lazer e suas amizades, algo que até você mesmo já percebeu. Você também não gosta de pedir ajuda ou trabalhar com outras pessoas porque acha que nunca vão fazer as coisas tão bem quanto você e quando aceita ajuda é sob exigências muito sérias de que sigam exatamente a sua forma de fazer as coisas. Além disso, você é muito rígido e teimoso.
— Uau. – contei nos dedos. — Você citou cinco características?
— Aham.
— Isso é mais que quatro. – murmurei. Balancei a cabeça, retomei o foco. — Ok, então, vou viver com isso pra sempre, né? Como vai ser o tratamento daqui pra frente?