Raoni só queria acabar o turno no trabalho e ir para a aula de teatro. Mas, um inesperado e um tanto vergonhoso encontro num ônibus com Isaac, um modelo com deficiência visual, resultou numa história de amor.
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Obra postada...
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— Me avisa quando chegar em casa. – pedi, apertando o cotovelo de Raoni.
— Aviso sim. – prometeu me dando outro beijo. — Você também.
— Ah, eu praticamente já tô em casa. Eu moro no fim da rua. – dei risada, desci do metrô.
— Mesmo assim!
— Tá bom. – bufei. — Tchau.
— Tchau. – ele me deu outro beijo antes das portas fecharem.
Lambi os lábios, sentindo meu rosto esquentar, ouvi o metrô ir embora.
Respirei fundo sem nem saber explicar porque estava tentando conter tanto o sorriso. Precisei respirar fundo de novo pra conseguir me permitir a isso. Ri baixo, um sorriso grande demais no rosto.
Balancei a cabeça, me lembrando de que tinha de voltar pra casa e que não era esperto ficar parado ali.
Assobiei ao sair da estação e atravessar a rua. Caminhei até meu prédio e cumprimentei o porteiro antes de entrar no elevador. Sexto andar. Apartamento 8. Demorei um instante pra conseguir encaixar a chave na fechadura e entrei ainda todo sorridente.
— Pai? Mãe? Cheguei! – avisei, trancando o portão.
— Sua mãe ainda não chegou, Isa! – meu pai gritou da cozinha.
Sorri e segui sua voz. — Tá fazendo o que, pai?
— Torta de batata com carne moída. – respondeu. — Quer ajudar?
— Nah, preciso de um banho.
— Se divertiu?
— Aham. – gritei quando meu pé bateu na roda da cadeira. — Ai, ai! Desculpa. Ai!
— Desculpa? – ele deu risada. — Você que se machucou, garoto. Ainda bem que ainda tava de sapato.
— Ai merda, eu esqueci de tirar. – resmunguei, tirando logo os sapatos. Corri, com os dedos do pé ainda doendo, para colocar os calçados no canto perto da porta porque minha mãe odiava quando entrávamos de sapato. — Vou avisar ao Raoni que já cheguei, tomar um banho e depois se você ainda precisar te ajudo aqui.
— Okay. – ele riu.
Peguei a toalha na área de serviço e pendurei no banheiro bocejando.
Deus, nada como um banheiro adaptado, pensei sentando no assento de banho, minhas pernas doíam depois de andar o dia inteiro
O banheiro adaptado era por causa do meu pai. Ele sofreu um acidente de mergulho um pouco antes de eu nascer e ficou paraplégico. Minha mãe sempre resmungava que ele devia ter processado o cara que o empurrou na água.
Uns dois anos atrás, tive uma época muito boa como modelo e consegui participar de uma campanha que o pagamento foi de três mil, somando com outros trabalhos que peguei naquele período consegui juntar dinheiro o bastante para comprar uma cadeira motorizada para ele. Ele ainda usava a manual dentro de casa, mas na rua preferia a motorizada, era melhor para lidar com desníveis na calçada e pra subir em ônibus. Ele tinha ficado tão feliz!