Capítulo 6

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Isaac

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Isaac

— Talvez ele leia devagar. – Beatriz comentou enquanto saíamos do trabalho na semana seguinte ao evento.

— Tá, mas ele podia mandar um "oi" pra eu salvar o número dele, Bea. – suspirei com a mão no ombro dela.

— Desnível. Cima.

— Opa, valeu. – sorri. — Sei lá, ele chegou todo... Sabe? Acho que exagerei nas provocações, mas ele tinha uma voz tão gostosa e um cheiro tão bom que eu só... Perdi a mão.

— Suas habilidades sociais precisam ser trabalhadas. Modelos não deviam ser gentis com todo mundo?

— Deveríamos, mas... Ai, gente gostosa me desestabiliza! #u esqueço o que é ser gentil. Não é por mal, eu só... Sei lá.

— Ele não disse que te passou uma solicitação no Facebook? Por que não aceita e chama ele no Messenger?

—... Eu não lembro minha senha. – admiti a contragosto.

— Aí fodeu. – concordou. — Cocô de cachorro. Vem pra cá.

— Obrigado. – sorri novamente desviando, peguei meu celular ao senti-lo vibrar com uma ligação. — Alô?

— Oi, Isa, tudo bom? Ligando só pra avisar que você passou no casting daquele editorial e eles querem te encontrar pras fotos oficiais depois de amanhã, mesmo horário e local.

— Beleza, Marcos.

— E você tá livre? Pode passar umas fotos das suas mãos e pés para outro casting?

— Ok, eu tenho umas salvas, já envio. – concordei.

— Preciso delas até dez da noite.

— Okay. Esse editorial, o salário é quanto?

— Oitocentos. Como vinte por cento fica pra agência, você fica com seiscentos e quarenta.

Fiz careta. Era uma merreca, mas não reclamei.

— Certo, obrigado, Marcos. Mais alguma coisa?

— Tem outro casting pra você no Morumbi daqui duas horas. É pra show room.

Estremeci. Nunca me dei bem em desfiles de inauguração.

— Ok, me manda a location que eu vou lá. – concordei. Tinha sempre uma muda de roupas pra casting, um composite e algumas polaroids na minha mochila pra esse tipo de situação.

Eu amava ser modelo, mas, se havia uma coisa que eu odiava era poder ser chamado a qualquer momento para castings sem ter como me planejar antecipadamente. Meu pai diz que sou um tanto quanto organizado e controlador demais no que diz respeito ao planejamento da semana e, reconheço, ele tem certa razão. Não saber o que ia acontecer, quando e como sempre fazia meus ombros ficarem tensos.

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