Raoni só queria acabar o turno no trabalho e ir para a aula de teatro. Mas, um inesperado e um tanto vergonhoso encontro num ônibus com Isaac, um modelo com deficiência visual, resultou numa história de amor.
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Obra postada...
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Isaac
— Talvez ele leia devagar. – Beatriz comentou enquanto saíamos do trabalho na semana seguinte ao evento.
— Tá, mas ele podia mandar um "oi" pra eu salvar o número dele, Bea. – suspirei com a mão no ombro dela.
— Desnível. Cima.
— Opa, valeu. – sorri. — Sei lá, ele chegou todo... Sabe? Acho que exagerei nas provocações, mas ele tinha uma voz tão gostosa e um cheiro tão bom que eu só... Perdi a mão.
— Suas habilidades sociais precisam ser trabalhadas. Modelos não deviam ser gentis com todo mundo?
— Deveríamos, mas... Ai, gente gostosa me desestabiliza! #u esqueço o que é ser gentil. Não é por mal, eu só... Sei lá.
— Ele não disse que te passou uma solicitação no Facebook? Por que não aceita e chama ele no Messenger?
—... Eu não lembro minha senha. – admiti a contragosto.
— Aí fodeu. – concordou. — Cocô de cachorro. Vem pra cá.
— Obrigado. – sorri novamente desviando, peguei meu celular ao senti-lo vibrar com uma ligação. — Alô?
— Oi, Isa, tudo bom? Ligando só pra avisar que você passou no casting daquele editorial e eles querem te encontrar pras fotos oficiais depois de amanhã, mesmo horário e local.
— Beleza, Marcos.
— E você tá livre? Pode passar umas fotos das suas mãos e pés para outro casting?
— Ok, eu tenho umas salvas, já envio. – concordei.
— Preciso delas até dez da noite.
— Okay. Esse editorial, o salário é quanto?
— Oitocentos. Como vinte por cento fica pra agência, você fica com seiscentos e quarenta.
Fiz careta. Era uma merreca, mas não reclamei.
— Certo, obrigado, Marcos. Mais alguma coisa?
— Tem outro casting pra você no Morumbi daqui duas horas. É pra show room.
Estremeci. Nunca me dei bem em desfiles de inauguração.
— Ok, me manda a location que eu vou lá. – concordei. Tinha sempre uma muda de roupas pra casting, um composite e algumas polaroids na minha mochila pra esse tipo de situação.
Eu amava ser modelo, mas, se havia uma coisa que eu odiava era poder ser chamado a qualquer momento para castings sem ter como me planejar antecipadamente. Meu pai diz que sou um tanto quanto organizado e controlador demais no que diz respeito ao planejamento da semana e, reconheço, ele tem certa razão. Não saber o que ia acontecer, quando e como sempre fazia meus ombros ficarem tensos.