9 - Não queria imaginar

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Magnus soltou os cabelos de Alexander, suas emoções completamente atordoadas, só para perceber que ele ainda dormia tranquilo. Não era nada fácil para ele ter que ver algumas coisas. Assim como deveria ser perturbador para Alexander ter alguém dentro da cabeça dele.

Pela intensidade das emoções que sentiu, imaginou que ele poderia acordar a qualquer momento. Algumas delas não eram nada bonitas, cheias de culpa, medo e auto recriminação.

Ele tinha visto um momento íntimo demais da vida de Alexander e agora se sentia um tanto culpado, mesmo sabendo que era exatamente o tipo de coisa que tinha que fazer.

Ele não sabia o que ia ver. Não tinha como escolher. Não havia um índice com a descrição de coisas que Alexander tinha vivido para que ele pudesse escolher as menos complicadas primeiro. As mais fáceis de manipular primeiro.

E aquele território era bem complicado de explicar. Já tinha passado por aquela mesma situação uma vez, se vendo tendo que mexer em sentimentos tão puros quanto os de um par de Parabatai, e não tinha acabado nada bem.

Ele achava que era mais experiente agora, mas ainda assim...

Tocou os cabelos de Alec mais uma vez, dessa vez mais cuidadoso. Pela qualidade das memórias, cheias de falhas e buracos, e um tanto borradas, ele imaginava que não tivesse acontecido de verdade. Deveria ter sido um sonho, ou a imaginação fruto de um desejo.

Se forçou a ignorar aquela pontada no peito e aquele pensamento recorrente de que o que estava fazendo era muito errado, e mergulhou para dentro da teia de pensamentos intrincados que era aquele garoto.


Alec acordou com o sol acertando seu rosto e um redemoinho de poeira entrando através do nariz. Levantou assustado apenas para encontrar Magnus Bane sentado em uma poltrona com aquele mesmo sorriso divertido de sempre. Ele girava o dedo rapidamente, e acompanhando aquele movimento, o redemoinho se tornou azul brilhante antes de desaparecer através da janela. A proteção voltou quase imediatamente.

Não conseguia deixar de achar aquilo tudo tão estranho, ser capaz de fazer aquele tipo de coisa tão facilmente, mas o que ele realmente sabia sobre feiticeiros além do que seu tutor havia ensinado? E Hodge nunca tinha visto um feiticeiro que não estivesse preso.

Então o feiticeiro estalou o dedo, e as cortinas se fecharam outra vez.

Estava prestes a reclamar quando Magnus começou a falar:

-Bem que você poderia me ajudar, caçador. Há muita coisa para fazer por aqui. Poderia começar tirando essas roupas horrorosas - Alec piscou, e se viu só de cueca. A sensação estranhamente quente da magia rodeando e cobrindo seu corpo, até que ele estava coberto com uma calça de moletom leve e macia, diferente das roupas que usava para patrulhar, e uma camisa azul simples.

Pelo menos essas eram do seu tamanho.

Mal teve tempo para processar o que havia acontecido quando o feiticeiro lhe lançou um olhar estranho, ficando sério de repente. Ele parecia querer falar algo, mas ao invés disso, pigarreou, abriu o sorriso, embora ele não fosse espontâneo como antes, e ficou de pé.

-Vou esperar você na sala. Preciso de ajuda para conferir os materiais para feitiços - Magnus falou, deixando para trás um rastro de fumaça azulada ao sair.

Realmente não conseguia entender nada do que estava acontecendo ali.

Seguiu pelo corredor já familiar até a sala, mas estava silencioso e vazio. Magnus já deveria estar na sala dele. Olhou brevemente em direção à porta de saída, mas Magnus não seria bobo de deixar o lugar sem proteção, então desconsiderou a possibilidade de sair e subiu as escadas sem o menor ânimo.

Stand Up - MalecOnde histórias criam vida. Descubra agora