30 - Coisas estranhas

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Isabelle levantou ainda cedo enquanto esperava que o sol nascesse, indicando que era hora de começar a se preparar para o dia. Apesar de toda a estranheza que foi no início, já estava se habituando a treinar com Emma e Mark logo cedo. A garota era legal, um pouco rebelde, mas enquanto elas conversavam, percebia que Emma tinha sim seus próprios motivos para estar ali. Uma das razões eram Mark e Helen, os irmãos mestiços que tinham sangue de fada e que por isso eram completamente esquecidos. ninguém tinha realmente se importado com Mark depois que ele foi embora. Ela disse que ninguém da Clave se importou quando o portal de Los Angeles foi destruído. Eles tinham ficado largados por si mesmos até que Julian - que também era o namorado dela - assumiu a responsabilidade de procurar uma saída, correndo atrás de qualquer boato de um lugar parecido com aquele. Ela se perguntou se já tinha visto o tal Julian e os irmãos mais novos, mas não conseguia lembrar, via tantos rostos parecidos e diferentes todos os dias que seria praticamente impossível lembrar de todos eles. Quando saiam para treinar, eram apenas Emma, Mark e ela.

Levantou disposta, notando que Clary ainda estava deitada. Se tinha conseguido dormir depois que Jace se foi, ela não sabia. Era solidária. Quando seu pai morreu ela ficou completamente destruída. Mas Clary nem podia saber com certeza e já tinha desanimado. Ela tinha que dar um jeito de conversar com o feiticeiro, como Jace pediu. Talvez assim Clary não estivesse tão apática quando os meninos voltassem e talvez assim Jace parasse de pegar em seu pé para que elas fossem amigas.

Suspirou, sabendo que se arrependeria do que faria a seguir, mas prosseguiu mesmo assim.

-Clary- a respiração da ruiva parou antes de recomeçar ainda mais lenta e compassada, o que significava que ela estava acordada - Vou tomar um banho para treinar. Você não quer ir até a sala de treinamento comigo hoje?

Clary não respondeu. Ela deu de ombros e entrou no banheiro. Não tinha pressa, então tirou seu tempo para cuidar de si mesma.

Quando saiu, Clary continuava sem se mexer.

Decidiu que daria um tempo a ela antes de voltar para chamá-la para o café. Se ela se recusasse, que o anjo a ajudasse, porque a levaria arrastada para fazê-la comer alguma coisa.

Quando já estava pronta, ela saiu pelos corredores que com o tempo se tornaram familiares. Se sentia bem ali. Tinha tudo que precisava, seu irmão estava bem e a salvo - talvez agora nem tanto, porque tinha saído em missão, mas confiava que Alec era capaz de se defender sozinho. E Jace também estava com ele dessa vez. Estava cercado de amigos e aliados. Era estranha a sensação de familiaridade estando perto de submundanos, tinha que admitir. Eles não eram como os tinha conhecido antes. A maioria a tratava bem, e ainda havia aquela pequena parcela que a olhava como se ela fosse uma celebridade.

Ainda lembrava da menina lobisomem que puxou a barra da calça da mãe, os olhos brilhando, enquanto a via passar. Descobriria depois que a menininha treinaria com ela e a admirava pelas histórias que contavam ali mesmo, na aliança. Histórias sobre caçadores e submundanos trabalhando juntos e ajudando uns aos outros, como parceiros. Era bom saber que uma nova história estava sendo construída e lutando para que essa nova geração pudesse crescer nos caminhos certos dessa vez.

Estava quase no térreo quando ouviu a voz familiar de Magnus Bane - ela escondeu um sorriso porque sempre que o via lembrava a forma como ele e Alec se olhavam. Seu irmão nem fazia questão de esconder, mas Magnus se esforçava para que ninguém percebesse. Era engraçada a forma como as pupilas fendidas cresciam até esconder o dourado dos olhos dele quando Alec estava por perto.

Quando virou para alcançar as escadas, Magnus subia junto com Ragnor. Ela acenou, mas ele parecia preocupado. Os dois pareciam. Atrás deles, subiam mais dois jovens pálidos. Vampiros, com certeza.

Stand Up - MalecOnde histórias criam vida. Descubra agora