23 - Mansão Herondale

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Talvez Jace tivesse razão.

Ele ficou feliz por seu parabatai ter desfeito o nó que parecia ter no rosto e cooperava, esgueirando-se devagar por entre as árvores que se abriam em direção a casa de campo dos Herondale. Era mais uma mansão do que uma casa de campo, na verdade, e foi isso que tornou fácil para Alec perceber que algo ali era diferente das demais casas da região. Era um lugar grande e cheio de janelas que deixavam entrever os móveis cobertos por lençóis, e também o branco inconfundível de uma luz enfeitiçada.

Entrou em modo de combate imediatamente, abaixando-se mais para evitar ser visto lá de dentro. Jace respondeu automaticamente ao seu movimento e logo eles estavam avançando pelas laterais até alcançar a parte da frente da casa, se posicionando ao lado da porta.

Isabelle deveria estar em algum lugar atrás dele enquanto Clary ficava na casa de Valentim esperando que eles voltassem.

Ele estava completamente ligado a tudo o que acontecia ao redor.

O barulho do vento farfalhando na folha das árvores, os passos de Jace e de sua irmã. A própria respiração regular e constante, uma sombra e movimento do lado de dentro da sala...

Ele estava abrindo a porta em uma fração de segundos.

Sabia que estava sendo imprudente, sabia que deveria checar quantas pessoas haviam lá antes, mas ele era puramente instinto primitivo, em busca do que lhe era mais importante no momento. Jace estava logo atrás e assumiu a dianteira. Os olhos de Alec perceberam e não desviaram o jovem que esperava lá dentro.

-Cara, você está atrasado. Estava morrendo de fome... - Ele parou quando viu que não era quem estava esperando, mas não empunhou as armas. Alec reconhecia o rosto de Manuel Villalobos. Ele era tão jovem quanto eles e não parecia tão preparado assim para estar de guarda - se ele fosse realmente isso. Algo dizia a Alec que era - O garoto não tinha bons reflexos.

-O que fazem aqui? - Ele perguntou, avaliando cada um deles, postura ofensiva e armados. Alec tinha uma adaga em uma mãos e uma lâmina Serafim em outra, o ideal para conflitos corpo a corpo.

-O que você faz aqui, Villalobos - Alec perguntou, soando frio até para seus próprios ouvidos. Ele estava congelando.

Manuel tentou não se mover bruscamente, mas Alec percebeu quando ele mudou um pouco o peso do corpo, aproximando as mãos das costas onde deveria haver alguma arma. Ainda assim, ele não a pegou, esperando que eles fizessem o mesmo movimento. Ou talvez esperando reforços.

-Estou apenas passando um tempo. Nada me impede - Manuel respondeu cautelosamente, e parecia que ele estava tentando aparentar calma e relaxamento quando estava tenso pelo que a presença deles poderia representar. Manuel sabia, ou ao menos suspeitava, que tinha sido descoberto. Que eles sabiam o que ele estava fazendo ali e que tinham vindo por esse motivo.

-É verdade. Nada te impede, além do fato de ser uma propriedade privada e pertencente à minha família - Jace zombou dando um passo adiante enquanto Alec continuava avaliando todos os movimentos alheios.

-Ninguém se importa realmente com essa bobagem.

-Eu me importo. Quero saber o que você faz em minha casa.

Não havia jeito de fazer aquilo amigavelmente. Enquanto Manoel se distraía com Jace, Alec inclinou a cabeça minimamente para a irmã, sabendo que ela continuava ali. Um acenar breve foi a única coisa necessária para que ela entendesse e lançasse o chicote em um dos tornozelos de Manuel, puxando e derrubando-o com uma exclamação de suspresa em seguida.

Um segundo depois Alec estava em cima do corpo dele, desarmando-o. Percorreu todos os bolsos do traje encontrando a estela e uma lâmina Serafim. As outras armas maiores deveriam estar em algum lugar da casa.

Stand Up - MalecOnde histórias criam vida. Descubra agora