39 - Quem semeia vento...

165 18 3
                                        

Alec sentou na beirada da cama, ainda muito atento, enquanto Catarina conversava com Magnus e o examinava. O feiticeiro respondia a todas as perguntas de Catarina, embora ainda parecesse um pouco desnorteado.
Magnus também o encarava vez ou outra, como se estivesse se certificando de que estava realmente ali. Mas o feiticeiro não precisava se preocupar. Ele não iria a lugar algum.
-Tem certeza de que se sente bem? - Catarina perguntou, levantando, e dando um olhar suspeito.
-Absoluta, minha querida - Magnus respondeu com um meio sorriso - exatamente como deveria estar.
-Bom, então - A feiticeira o encarou, ela ainda parecia um pouco tensa, mas deu de ombros e virou em sua direção - Alexander, se perceber qualquer coisa diferente me avise. Sei que Magnus é teimoso demais para pedir ajuda.
Sorriu para ela enquanto confirmava, aproveitando para sentar mais proximo de Magnus, no lugar que Catarina ocupava antes.
-Descanse, Magnus - Catarina ainda deu um olhar de soslaio antes de deixá-los sozinhos.
Alec aproveitou para realmente olhar Magnus, que o encarava de volta com os olhos dourados um pouco abatidos, mas eram reais, estavam abertos e o observavam com carinho e admiração ao invés de assustados e desesperados.
Toda a preocupação e angústia tinham deixado seu peito e ele se sentia mais leve do que nunca. Imaginava que poderia enfrentar qualquer coisa por aquele olhar.
-Você me deu um susto - Ralhou com a voz suave, como só usava com Magnus, fazendo o feiticeiro sorrir. Beijou a testa fria dele em seguida - por favor não faça mais isso. Está com frio?
Magnus negou com a cabeça.
-Estou ótimo, Alexander. E você fala como se não tivesse me dado um susto ainda maior. Você me assustou de morte, Alexander - Magnus respondeu, o sorriso diminuindo um pouco, dando lugar àquela tensão no canto dos olhos que Alec já sabia ser preocupação.
-Sinto muito - Respondeu.
Pegou as mãos de Magnus nas suas, aquecendo-as. O clima leve se tornando um pouco mais denso.
-Não quero que se desculpe. Você salvou minha vida. Tenho que agradecê-lo por isso. - Magnus respondeu. Estava sério, tentando lhe transmitir a seriedade do que estava dizendo e sentindo. Ele podia sentir a preocupação de Magnus com sua segurança, porque sentia o mesmo em relação a ele - mas eu quero que viva. Acima de qualquer coisa. Já vivi por tempo demais. Se puder salvar a si mesmo, faça isso. Por favor, não se coloque em perigo por mim.
-Não posso prometer isso, Magnus - respondeu firmemente - Não farei isso. Fui criado desde criança para proteger pessoas como eu puder, mas mais ainda, fui treinando para proteger quem eu amo. Não posso simplesmente ignorar que você corra perigo.
Queria que Magnus entendesse a profundidade de seu sentimento. Precisava que ele soubesse. Quando o viu sendo atacado pelo feiticeiro sentiu uma urgencia tão intensa em protegê-lo que nada mis importava.
-Alexander… - Magnus se preparou para protestar, mas ele apenas sorriu e o calou com um beijo.
-Vamos fazer um acordo. Eu cuido de você. Você cuida de mim. Assim ninguém se machuca. Tudo bem? Podemos fazer isso funcionar. Cuidamos um do outro.
Magnus acenou, mas lhe deu olhar estranho.
-Tudo bem - concordou a contragosto.
Alec se aproximou o suficiente para beijar sua bochecha, em seguida lhe deu um selinho, desmanchando o biquinho mal humorado porém fofo, e abrindo um sorrisinho no rosto bonito.
-Ótimo!
Respirou fundo. Ele sabia que tinha muitas coisas para conversar com Magnus agora que ele tinha acordado, mas seria pedir demais algum tempo para que Magnus apenas ficasse tranquilo, sem preocupações por alguns momentos?
-Sabe, eu… - continou a falar, se sentindo nervoso de repente - eu tava falando sério. Pode parecer precipitado, não quero que pense que só disse porque estava morrendo. Eu te amo. Magnus…
Abaixou o olhar as as mãos de Magnus quando os dedos longos apertaram os seus, agora aquecidos.
-Eu sinto o mesmo. Eu amo você, Alexander. Fiquei em pânico quando imaginei que nunca seria capaz de te dizer isso.
Alec encarou os olhos de Magnus com surpresa. Não imaginou que seria respondido rapidamente, sem dúvidas e hesitações considerando que no inicio Magnus era tão relutante em se envolver com um caçador.
E descobrir que Magnus o amava da mesma forma não era exatamente uma surpresa, mas era surpreendentemente doce, a ponto de fazer aquela pressão de emoção crescer em seu peito. Sim, obviamente ele sabia, porque Magnus o olhava assim, com cuidado. Com amor. Mas era bom ouvir. Muito bom. Tão bom quanto seu próprio sentimento que dava uma nova perspectiva mais bonita e vibrante ao seu mundo.
Se inclinou para a frente, acariciando a bochecha de Magnus, deixando os dedos deslizarem através do pescoço longo, acariciando os cabelos macios que escapavam. Estava tão apaixonado que poderia gritar para que todos ouvissem. Pela primeira vez estava experimentando algo tão intenso quando amar. Amar e ser amado.
Sua respiração falhou quando se aproximou o bastante para sentir a respiração de Magnus contra seu rosto, igualmente entrecortada.
Ele queria sorrir, gargalhar, contar para todo mundo sobre aquele sentimento tão intenso, mas fez algo melhor. Beijou Magnus com carinho infinito e foi igualmente retribuido.
A cada arquejar surpreso e satisfeito, Alec sentia aquela conexão aumentar, crescendo e crescendo até que ele mal pudesse respirar, seu peito cheio e inflado de tanto amor.
Quando se afastou, sorrindo para o feiticeiro, recebeu de voltar o olhar e o sorriso mais lindo que poderia receber, e aquilo fazia tudo valer à pena.

Stand Up - MalecOnde histórias criam vida. Descubra agora