Camila Cabello's point of view
- Mas você tem que se alimentar direito, Camila - minha mãe me repreendeu novamente, vindo atrás de mim pelos diversos vasos de planta. - Não ficar comendo essas porcarias na rua, isso não faz bem pra saúde.
- Mãe, espaguete não é porcaria - repliquei, apanhando minha apostila e notebook que deixei na mesinha bem no fundo da floricultura. - E foi só hoje, também.
- Espaguete que fazemos em casa não é porcaria. Esses que você come na rua todo banhado na gordura é sim!
Eu suspirei, cansada. Depois da faculdade, saí para jantar com a minha melhor amiga em um foodtruck italiano, fui para a casa, estudei incansavelmente para a prova da semana que vem, recebi uma ligação da minha mãe, pedindo ajuda na floricultura, e vim, mesmo que atolada de trabalhos e compromissos desfeitos. Resumindo, eu estava a ponto de deitar agachar no chão para pegar algo que caiu e acabar dormindo. Mas o que era mais uma noite, não?
- Tudo bem, mãe - parei um pouco, para dar atenção a ela. - Eu não como mais essas comidas de rua, ok?
Era claro que eu estava mentindo, mas ela não precisava saber. Eu detestava quando a deixava preocupada, e ficava me sentindo mal depois. Também detestava mentir pra ela, mas se isso a faria ficar mais tranquila, então era a única saída.
- Tudo bem, então - ela abriu um sorrisinho pra mim, aquele que me derretia por dentro, e tocou minha bochecha, limpando algo. - Vou fazer alguma coisa saudável pra você comer então, pode ser? Já deve estar quase dando meia-noite.
- Pode sim.
Eu abri o mesmo sorriso pra ela, para a confortar, e assim, ela entrou para dentro da área restrita, me deixando sozinha na floricultura. Normalmente, são mais dois funcionários trabalhando por aqui, já que nossa clientela é bem boa, porém, com a hora extra se extendendo mais do que minha mãe tinha coragem de deixar algum funcionário, estávamos apenas eu e ela.
Repousei meu notebook no balcão do caixa, e comecei a folhear a apostila, buscando a página na qual a Sra. Howard indicou. Deveríamos fazer uma redação em base ao texto da página 45, expressando todas as nossas opiniões e entendimento sobre o tema. E eu não vou mentir e dizer que não enrolei isso até o último momento. Precisava entregá-la na segunda-feira. Hoje era sexta, quase sábado, e ninguém precisa esperar que eu vá sentar na frente de um computador e enfiar a cara nos livros em um sábado ou domingo. Eu sou, sim, uma aluna esforçada, minhas notas são excelentes, mas isso não quer dizer que eu não possa ter uma vida social. Ou ter apenas um tempo pra mim, onde eu vá assistir um filme bobo qualquer. Já estudo de segunda a sexta para ficar livre no final de semana.
- Hm... esse texto é grande - observei comigo mesma, batucando as unhas na página.
Suspirei fundo, tentando tomar a coragem necessária para começar a ler aquele testemunho. Talvez quando minha mãe chegar com o chá que deve estar preparando pra mim eu comece... Não! Você precisa começar isso agora, Camila! E também, não é como se...
- Com licença.
Confesso que me assustei internamente com aquela voz atrás de mim, porém, ela estava tão fraca -ou baixa por natureza-, que não consegui expressar essa reação. Me virei para trás, com a apostila ainda em mãos, e me deparei com uma mulher muito, muito bonita. Ela tinha o tom de pele alvo, mas as bochechas e nariz estavam avermelhados, o cabelo caía livremente como um véu denso e negro em seus ombros, até metade das suas costas, seu rosto era perfeitamente milímetrico, de dar inveja, e seus olhos... céus! Acho que nunca tinha visto um verde tão claro. Ela era linda, e não era os olhos fundos, a linha dos lábios meio-curvado para baixo, alguns fios do cabelo com frizz pela garoa lá fora ou a garrafa de tequila em suas mãos que mudavam isso.
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Reasons
FanfictionLidar com os livros fracassando nas vendas após uma polêmica, o saldo da conta bancária caindo cada vez mais, o dono do prédio batendo no seu apartamento com a ordem de despejo em mãos e a vida amorosa indo pior que a saúde mental e física não é fác...
