32. Querida Camila...

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Camila Cabello's point of view.

- Minha mão está soando - eu constato para a minha mãe, expondo minhas mãos.

Estávamos no auditório onde o teste aconteceria, e diferente do que eu pensei, não havia mais ninguém para ser avaliado também. Além de nós três, apenas algumas pessoas da produção e os avaliadores estavam presentes. Isso me deixou um pouco mais tranquila, porque sempre fico nervosa com muitos competidores ao meu redor. Minha mente não me deixa esquecer que eu preciso ser melhor que todas elas. Aqui, ao menos, eu só preciso me concentrar em ser melhor que eu fui da última vez.

- Você já disse isso três vezes, filha - dona Sinu diz, pousando a mão sobre a superfície do meu ombro, e eu percebo que estava tremendo a perna.

- E a Lauren que não volta? - Questiono, mirando meu reflexo apreensivo do outro lado do espelho enquanto limpo a palma da minha mão no pano leve da calça que estava usando.

Estava no camarim, e uma funcionária já tinha vindo avisar que os avaliadores me receberam dali a meia hora. Que poderia atrasar, mas este era o horário referência, e que ela viria me chamar para me acompanhar até o palco.

- Mas ela disse que iria ir se encontrar com Simon - minha mãe me lembra, e eu busco na mente o momento em que ouvi isso. - Você estava terminando a maquiagem, Karla.

Eu levanto as sobrancelhas, me lembrando dela avisando isso, e de repente me arrependo de ter dito que não tinha problema, que eu estava tranquila.
Suspiro profundamente outra vez, e minha mãe abandona sua bolsinha de ombro para me fazer levantar. Ela segura meus ombros com firmeza, e me olha bem no fundo dos olhos quando diz:

- Vai sair tudo certo, filha - ela garante. - Simon já adorou você, e tenho certeza que os outros vão amar também, apenas toque com o coração, como sempre fez. Sinta a música, e não se esqueça que Lauren e eu vamos estar logo ali.

São poucas palavras, mas faz meu coração se acalmar um pouco. Eu suspiro fundo, fechando os olhos por um breve momento antes de assentir, tomando mais um pouco de coragem. Eu não posso deixar a ansiedade me atrapalhar, isso é um dos maiores passos que estou dando. Apenas preciso tocar com a alma, pensar naqueles olhos...

- Tem razão, eu... - sou interrompida pelo toque do meu telefone, que surge na penteadeira, e eu rapidamente viro para trás, afim de ver quem era. - É Dinah.

- Pode atender, vai fazer bem você conversar para se distrair - minha mãe diz, deixando um beijo na minha bochecha antes de começar a caminhar para fora do camarim. - Vou deixar você a sós, mas te encontro antes de entrar no palco, ok?

Eu concordo, já pegando o telefone com pressa para o levar até a orelha. Conversar realmente me distrairia, principalmente com Dinah.

- Como está minha estrela favorita? - Ela pergunta assim que aceito a ligação, e meu sorriso se abre instantaneamente.

- Morrendo de nervosismo - trago a poltrona para o meu lado, e me sento nela em seguida, tomando cuidado para não amassar minha roupa. - Estou achando que vou ter um treco.

- Sua mãe e a Laur estão aí? - Nego com a cabeça, como se Dinah pudesse ver enquanto pescava um pincel do pote para ter com o que manter as mãos ocupadas.

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