Aos poucos, Katsuki consegue compreender e aceitar a si mesmo, desligando-se das amarras que o prendiam às aparências. Sua postura e concepção em relação à própria identidade de gênero passam por uma reformulação e seus conceitos amadurecem ao ponto...
Olá, amores, como vão? Quanto tempo. Teremos alguns termos que talvez soem estranhos a alguns leitores, mas a explicação estará logo abaixo, então não se apoquentem.
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Sakura era uma mulher baixa e gordinha, extremamente atraente e sociável. Sorriu animada ao encontrá-los e os fez se sentir confortáveis e acolhidos com poucas palavras calorosas e sorrisos doces e genuínos. Ela e Eijiro poderiam muito bem ser irmãos separados no nascimento de tão bem que se deram desde o primeiro momento.
Ela os convidou a se sentar e repassou as perguntas antes, garantindo aos dois que não faria nenhuma pergunta constrangedora.
Quando os assistentes surgiram depois da platéia assumir seus lugares, avisando que iam começar, eles trocaram as últimas palavras e se posicionaram. Houve a contagem regressiva e o programa iniciou de fato. Ela apresentou os dois com uma animação invejável e após algumas considerações, começou de fato a conversa.
— Muitos homens trans se espelham em você, por ser uma figura pública de personalidade forte e arrojada. Poderia contar para esses expectadores sobre a sua experiência como um homem trans?
Katsuki respirou fundo, buscando coragem. Sentir o calor da palma da mão de Eijiro contra a sua o fez se sentir confiante.
— Para início de conversa eu nunca fui de desistir ou fugir frente à um desafio. Se está lá e eu quero, certamente vou pegar. Porque isso faz parte de quem eu sou. — iniciou a fala com o semblante um tanto arrogante — Mas eu estaria mentindo se dissesse que as vezes não tenho medo ou me sinto angustiado. Durante muito tempo eu fiz disso um segredo por temer que os outros não me levassem a sério e eu posso dizer com tranquilidade que mesmo sendo forte e confiante, eu tive apoio de pessoas importantes na minha vida. Uma delas é esse herói cabeça dura e emocional que casou comigo. — olhou para Eijiro com um sorriso sincero e o ruivo mordeu o lábio inferior na intenção de conter a emoção que fazia seu queixo tremer — Muitas vezes ele me ajudou a lembrar quem eu realmente sou e participou de todo o processo pelo qual passei para me tornar o que sou hoje.
Ele podia jurar que os olhos dela estavam marejados apenas de presenciar aquela pequena interação.
— O relacionamento de vocês sempre foi visto com muito carinho pelos fãs — a apresentadora concordou, sorridente como o Sol — Assim como também foi alvo de muitas críticas de fundamentalistas. Toda essa aura negativa chegou a gerar alguma tensão entre vocês?
— Nenhuma crítica negativa vinda de pessoas hipócritas seria capaz de abalar o que eu sinto pelo Suki. — Eijiro tomou a palavra, encarando o esposo com o olhar terno e apaixonado — Eu amo demais esse sujeito marrento para deixar que a opinião dos outros atrapalhe o que eu sinto por ele.
— Eu não disse que é emocionado? — Katsuki desdenhou, mas não havia maldade em seu tom de voz, apenas um leve rubor em suas bochechas que denunciavam o quão sem jeito havia ficado com a declaração.