Aos poucos, Katsuki consegue compreender e aceitar a si mesmo, desligando-se das amarras que o prendiam às aparências. Sua postura e concepção em relação à própria identidade de gênero passam por uma reformulação e seus conceitos amadurecem ao ponto...
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Foram meses de discussões até que tudo se estabilizasse novamente.
Apesar de monitorado, Yusuke não era mais considerado um perigo imediato. A maioria absoluta dos especialistas em saúde mental e comportamental apontavam a importância do cuidado ao tratar uma criança pequena sem a consideração e cuidados necessários. O fato dele ser autista e superdotado não o tornava um potencial perigo.
Desde que tivesse acesso ao amor e cuidados e fosse bem orientado, as chances dele se tornar um vilão eram quase nulas. Ideia fortalecida pelo sacrifício dele em salvar as demais crianças que tinham sido raptadas e eram mantidas em cativeiro pelo governo, sendo usadas em experimentos ilegais.
Seu ato heroico lhe rendeu uma medalha e menções honrosas. Arredio a lugares com muitas pessoas, ele não foi buscar pessoalmente.
Foi a primeira vitória deles.
A segunda foi a resposta da justiça, favorável ao seu lado. Mesmo sendo influentes, os pais de Eijiro não conseguiram converter a guarda das crianças para si e recuaram. Nenhum dos juízes bateu o martelo a favor deles, em parte por causa das provas insuficientes e perigosamente tendenciosas, mas por estarem sob muitos holofotes. Nem mesmo a amizade e troca de favores era mais importante que seus cargos e prestígio.
A terceira vitória foi a terapia que estavam realizando juntos.
E a quarta foi o fortalecimento da união entre os dois. O fantasma do divórcio estava distante em suas mentes enquanto eles aproveitavam o que talvez fosse a melhor fase de suas vidas.
Mais maduros e agora recebendo suporto profissional para lidar com as questões não resolvidas que os faziam falhar enquanto pais e conjugues. Foi difícil para Katsuki lidar com alguns temas levantados pelo especialista como a necessidade constante dele estar no comando de tudo, mesmo que o sobrecarregasse, tomando para si responsabilidades que não deveriam estar apenas em suas mãos.
— Parte do problema entre você e seu esposo vieram dessa necessidade de controle, senhor Bakugou. — a psicóloga enfatizou, o olhar dourado brilhando estoico de um jeito que apertou muitos dos gatilhos do herói.
E ele odiava quando isso acontecia principalmente por odiar ter que admitir que tinha dificuldades em administrar a enxurrada de emoções que vinham em conjunto.
— Como pode a culpa ser minha quando estava apenas garantindo que tudo não fosse para a merda? — a confrontou, irritado pela fala que soou como uma acusação.
De um minuto para o outro, o clima do escritório pareceu terrivelmente tedioso e desagradável, suas mãos instintivamente repousaram no colo em um sinal de conforto próprio que deve ter soado como autodefesa para ela, pois o olhar que recebeu foi significativo.