Aos poucos, Katsuki consegue compreender e aceitar a si mesmo, desligando-se das amarras que o prendiam às aparências. Sua postura e concepção em relação à própria identidade de gênero passam por uma reformulação e seus conceitos amadurecem ao ponto...
A vibe é uma coisa linda de se ver, adoro como ela me pega e joga na parede.
Infelizmente acho que hoje é amanhã não terei tempo para escrever.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Um mês se passou desde a separação deles. Os trinta e um dias mais longos da vida de Eijiro que já não comia ou dormia direito, mesmo tendo tempo e silêncio de sobra para isso. Trabalhar era a única atividade que enchia seu dia, então ele estava focando em se manter ativo durante as horas de patrulha, assumindo posições em confrontos e desmontes de quadrilhas e qualquer outra coisa que pudesse distrair sua mente para não cair no vórtice depressivo que o sugava toda vez que estava parado.
Ele não podia culpar Katsuki por seu infortúnio, criticá-lo por resolver tomar aquela decisão pelos dois sem tentar lhe dar mais chances, até porque admitia suas falhas como esposo e pai e se culpava por não ter tentado consertar os deslizes que ele lhe apontava.
Parecia tudo tão claro agora que Eijiro se perguntou o que o levou a ser cego durante tanto tempo. A resposta era simples, porém, e Katsuki tinha lhe apontado diversas vezes também.
Comodidade
Sim, ele reconhecia que lhe era conveniente simplesmente ignorar as brigas e passar por cima dos problemas sem ter que quebrar a cabeça pensando em como resolvê-los. Nas primeiras vezes em que se desentederam e Eijiro se permitiu brigar e gritar na mesma intensidade do esposo ele realmente temeu que aquilo fosse abalar e destruir seu casamento. Mesmo assim ele o fez por estar cansado de aturar tudo em silêncio.
Porém não aconteceu. Katsuki ficou surpreso com seu descontrole e rebateu com mais intensidade. Os dois então começaram a brigar em pé de igualdade. Se Katsuki se sentia a vontade para ser rude, então ele também seria.
O problema é que ele estava perdendo as nuances, os detalhes escondidos nas entrelinhas. Como os dois brigavam sem filtros acontecia o problema de não dialogarem. No outro dia a raiva já tinha ido embora e Eijiro puxava assunto com o esposo que não o repudiava, então eles seguiram.
Pura comodidade. Era mais fácil ignorar que o relacionamento estava ruindo do que tentar encontrar as rachaduras e resolver. Procurá-las, para começo de conversa, era um trabalho difícil e espinhoso, o qual não queria fazer.
Agora estava aqui, colhendo o resultado de suas escolhas, se detestando por não ter tentado resolver.
Katsuki não o chamou mais depois daquela noite e eles seguiram com o combinado. Como não queriam separar os irmãos, decidiram que um deles deveria cuidar dos filhos e obviamente Katsuki não confiava em seu senso educacional para lhe conferir essa responsabilidade. Contudo, o mantinha informado do que acontecia em casa e o deixava livre para ligar ou visitar os filhos, desde que isso não atrapalhasse a adaptação deles.
Isso teve um custo para Katsuki, principalmente para sua posição que desceu para terceiro em apenas um mês por conta de seu desgaste. Quando o via ele estava sempre terrivelmente exausto, o humor mais ácido que nunca.