Aos poucos, Katsuki consegue compreender e aceitar a si mesmo, desligando-se das amarras que o prendiam às aparências. Sua postura e concepção em relação à própria identidade de gênero passam por uma reformulação e seus conceitos amadurecem ao ponto...
Estamos de volta de novo? Sim, amades, esse link é de uma música que vai surgir no capítulo.
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Mesmo tendo um início de manhã conturbado por causa de Hikari — que por algum motivo estava mais choroso que o normal —, Katsuki podia respirar tranquilamente enquanto cozinhava, mantendo um olho atento nos bebês na sala cuja atenção era total e irrestrita dos apresentadores coloridos que dançavam e cantavam.
Era incrível como eram tranquilos de manhã quando estavam sob sua supervisão, balbuciando e brincando de maneira comportada.
Contudo sabia que em breve a ordem terminaria, pois bastava Eijiro passar pela porta que o caos se instalaria com gritos e bagunça, risos e faniquitos.
Ver o outro pai sempre deixava as crianças em um estado de euforia alucinante e os fazia disputar sua atenção ferrenhamente, gritando, chorando e esperneando. Não se importava, no fim até gostava de vê-los interagir, era uma cena apaixonante, até porque Eijirou se refastelava com os pequenos, completamente feliz e envolvido com seus bebês. Ria alto e histérico acompanhando pelos pequenos que tentavam imitá-lo com a mesma intensidade que se desfazia em preocupação sempre que um deles se machucava ou chorava, por vezes chorando junto.
Naquela noite não foi diferente. Bastou o som do ferrolho da porta sendo aberto para que Hikari e Hideki entrassem em um colapso emocional alucinado, volvendo o olhar para a porta atentos, enquanto balbuciavam alto, explodindo em gritos extasiados e eufóricos ao verem o outro pai entrar.
Felizmente ele tomava banho na agência, o que garantia pelo menos não emporcalhar os pequenos, em especial Naomi que por ser prematura vivia tendo crises alérgicas.
— Okaeri — disse se desmanchando em sorrisos ao ver seus bebês engatinhando ao seu encontro, com sorrisos banguelas de um ou dois dentes, sorrindo de um jeito que encheu o seu coração de alegria, afastando o cansaço de um dia inteiro de trabalho.
— Tadaima —Katsuki respondeu rindo da cena ao ver o esposo se ajoelhar e ser atacado pelos meninos.
Somente Naomi permanecia na cadeirinha por não saber descer sozinha sem virar uma cambalhota dolorida, mesmo assim ela também ria, dando gritinhos e balançando os braços eufórica, antes de começar a chorar para chamar a atenção de Eijirou que tratou de agarrar os dois gêmeos, aproximando-se dela enquanto beijava, cheirava e falava com os três ao mesmo tempo, no mesmo dialeto, forçando a voz aguda.
Haviam tantas mãozinhas em torno dele que poderia ser classificado como o ataque mais fofo do universo.
Então Hikari segurou o rosto dele, virando-o para si e entre os balbucios de gugus e dadas — sendo alguns de Eijirou — ele pronunciou um som novo que deixou ambos os pais em choque.
—... Papa!
O mundo pareceu parar naquele instante e Katsuki teve certeza de que o esposo não passaria daquele momento, falecendo de felicidade.