Aos poucos, Katsuki consegue compreender e aceitar a si mesmo, desligando-se das amarras que o prendiam às aparências. Sua postura e concepção em relação à própria identidade de gênero passam por uma reformulação e seus conceitos amadurecem ao ponto...
Sim, eu também estava com saudades de vocês. Obrigada por serem pacientes e sempre incentivarem com votos e comentários.
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As horas seguintes foram desgastantes e carregadas de aflição e amargura. O corpo ainda em recuperação de Katsuki cobrava seu preço o fazendo vacilar em alguns momentos pela fraqueza, mas ele se recusava a parar ainda que Eijiro recomendasse a cada nova tontura que quase o levava ao chão. Como poderia estando o caçula desaparecido?
Seu corpo estremeceu novamente e ele sentiu mais uma vez os passos vacilarem tropêgos. Mais uma vez Kirishima o segurou, trazendo-o para perto antes que caísse e ele praguejou irritado pela fraqueza que o impedia de dar mais de si.
— Tem que parar um pouco, Suki, você ainda está se recuperando. — Eijiro aconselhou novamente e Katsuki travou os dentes em um rosnado de raiva.
— Não antes de recuperar o meu filho. — determinado, ele se levantou, desvencilhando do toque.
Não era justo descontar a frustração nele, Eijiro não tinha culpa, compartilhavam da mesma angústia, no entanto Katsuki não estava sendo capaz de refrear a própria língua, tenso e nervoso demais para considerações ou agir de modo racional. Seu filho mais novo estava desaparecido, sendo procurado como uma ameaça quando era apenas uma criança assustada, correndo risco de vida e ele como pai se sentia inútil por não estar ao lado dele o protegendo.
Os olhos arderam e ele amaldiçoou mais uma vez sua fraqueza e sentimento de incapacidade ao sentir as lágrimas descerem. Seus punhos encontraram o muro mais próximo e socaram a superfície rígida e amorfa furiosamente, tentando encontrar naquele ato uma válvula de escape para os sentimentos amargos que se amontoavam em seu coração.
Antes que pudesse continuar a machucar os punhos, as mãos de Eijiro o impediram, segurando seu punho e oferecendo palavras suaves quando o acolheu em um abraço ao qual se entregou após alguns instantes de luta.
— E-Eu quero o meu bebê, Eiji... — conseguiu externar em uma lamúria carregada de dor, culpa e desespero.
— Shi... eu sei, amor. Nós vamos encontrá-lo, não se preocupe. — o aperto em suas costas aumentou e Katsuki se viu sufocado contra o dorso do esposo, soluçando em seu ombro sem se envergonhar por estar sendo tão cru e verdadeiro.
— E se não conseguirmos? Ele ainda é pequeno e não sabe falar com as pessoas. Deve estar com fome, frio, machucado e... se estiver... — estremeceu mordendo o lábio sem coragem de dizer.
Morto
A palavra não dita, contudo o assombrou e ficou subentendida pois Eijiro beijou sua bochecha molhada de lágrimas negando veementemente como se isso pudesse afastar a possibilidade de ambos.
— Isso não vai acontecer. Não vai. — o aperto aumentou e Katsuki não soube definir se ele estava dizendo aquilo para acalmar a si mesmo ou à ele. Talvez fosse pelos dois.