Rude Ashley

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Ashley Willian

A Coreia é incrível, sim. Mas não se engane: esse país esconde uma sombra nojenta atrás dos arranha-céus brilhantes. O bullying aqui é cruel. Não é aquela zoeirinha de recreio — é coisa que arranca pedaços da sua alma. Eu descobri cedo que ser boazinha ou seguir regras não serve pra nada. Nesse mundo, se você não morde, é devorada.

Não me venha dizer que a culpa é minha. Não é. Nunca foi. A culpa é daqueles que me humilharam até eu aprender a cuspir de volta. Eles me transformaram nisso. E eu jurei que nunca mais ia deixar alguém erguer o próprio ego pisando em mim. Papai e mamãe? Eles nunca souberam de nada. Esse foi sempre o meu segredo sujo. A única que sabia era Amelia.

Amelia... minha melhor amiga, minha metade. Minha irmã gêmea. A única que ficava ao meu lado quando todos os outros me jogavam ao chão. Ela me defendia, mesmo tremendo. O detalhe é que nós não somos nada parecidas. Tão diferentes que as pessoas sempre perguntam se é sério que somos gêmeas. Eu nunca tenho paciência pra essas perguntas idiotas, e a resposta amarga sempre escapa.

Amelia sabe disso. Sabe que eu odeio perguntas burras. Mas ela insiste. E eu tento, juro que tento, não responder de forma grossa, porque sei o quanto ela é sensível. Só que às vezes é impossível.

Mamãe vive me repreendendo por tratar a Amelia desse jeito. Ela diz que minha irmã é a inteligente da família. Eu sou só... a que dá problema. Mas sabe o que eu acho engraçado? Como alguém tão inteligente pode fazer tanta pergunta estúpida? É surreal. Amelia é o oposto de mim: sonsa, calma demais, dócil demais. Igualzinha à mamãe. Já o papai... ah, papai é outro nível. Ele tem uma paciência de santo.

Explica a mesma coisa vinte vezes e ainda sorri. Talvez seja porque ele ama minha mãe com uma intensidade ridícula. O romance dos dois é um teatro eterno: jantares, vozinhas finas, banho juntos... um show cafona que qualquer casal invejaria. Amelia suspira toda vez que vê aquilo, como se quisesse viver o mesmo conto de fadas.

Eu dispenso. Namorado é peso morto. Sexo eu tenho quando quero, amor eu dou pra mim mesma. Me prender a alguém? Ridículo. Eu gosto é de festa, de gargalhar alta madrugada, de beijar quem eu quiser. Quero ser livre.

Apago o cigarro esmagando a brasa contra a parede e balanço a mão na frente do rosto, tentando dispersar o cheiro amargo. Encho os pulmões de ar puro antes de abrir a porta de casa. Eu sabia que os velhos não estavam ali, mas Amelia... ah, ela não aguenta cheiro de cigarro. Melhor disfarçar.

— Amelia, cheguei! — minha voz ecoa pelo vazio da sala.

Passos apressados descem a escada. Ela surge com os cabelos castanhos soltos, iluminada pela luz fraca do hall, e me envolve num abraço apertado. A diferença de altura entre nós é gritante: ela puxou a mamãe, delicada; eu puxei o papai, sempre maior que os outros. Foi esse corpo alto demais que virou alvo de zombaria na infância.

— Urgh — Amelia tapa o nariz, se afastando. — Você tá fedendo a cigarro.

— É, eu fumei antes de vir. — vou direto pra cozinha.

— Você devia parar. É nova, Ashley... isso vai te ferrar no futuro.

— Hm... — abro a geladeira, pego um refrigerante e dou de ombros. — Não se preocupa.

— Eu me preocupo, sim. Você tá cheia de hematomas daquela briga ontem no colégio. Quarta expulsão só esse ano. Papai e mamãe estão perdidos com você... Por que não segue as regras? — a voz dela sai triste, quase um lamento.

Dou um gole longo na lata e sorrio torto.

— Porque regras são chatas. Você devia aprender a se divertir um pouco. Nem beijou ainda, continua virgem.

— Isso não tem nada a ver! — ela cruza os braços, nervosa. — Eu posso me divertir sem isso. E para de falar dessas coisas, se papai descobre que você não é mais virgem, você tá morta.

— Ah, aquele velho exagera demais. — caminho devagar até a sala e me jogo no sofá, deixando meu sorriso provocador mirar nela. — Ele precisa tomar mais chá.

— Ele não gosta de chá, você sabe disso.

— Não esse chá. O chá que a mamãe... — deixo a frase suspensa, carregada de malícia.

— ECA, para! — Amelia se arrepia inteira, o rosto vermelho de nojo.

Dou risada, observando ela se contorcer.

— Você precisa logo de um namorado, perder essa virgindade. Esse seu jeito certinho dá agonia.

— Não! — ela dispara firme. — Eu só vou dar esse passo com alguém que eu ame de verdade... e só depois do casamento.

Reviro os olhos de forma escandalosa e levanto. O cheiro de cigarro ainda gruda na pele, preciso de um banho. Esvazio a lata, largo na bancada e começo a subir as escadas.

— Você tem que mudar, Ashley! — a voz dela ecoa atrás de mim.

— E se eu não quiser?

— Papai e mamãe vão te mandar pra um colégio interno.

Congelo no meio da escada e viro devagar. O olhar dela queima, sincero.

— Eles te disseram isso?

— Não... mas eu ouvi. Eles estão no limite. E depois do que você fez ontem... bater em um professor? Você podia estar presa agora! Eles não sabem mais o que fazer com você. Ou você muda... ou vai embora.

A risada amarga escapa da minha garganta antes que eu consiga segurar.

Então é isso? Eles querem se livrar de mim?

Amelia desmorona na minha frente, implorando.

— Faz isso... por mim.

Dessa vez não, Amelia

Continua...

NOTAS DA AUTORA

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NOTAS DA AUTORA

OIIII, eu me chamo Flocos, mas algumas pessoas me chamam de Jojo. Esse é um livro criado para uma das filhas de "o Nerd". Você não precisa ler o livro para entender esse, mas eu indico ler para conhecer a história dos pais.

Esse é o primeiro capítulo da filha rebelde. Como a maioria deseja ter apenas um livro sendo postado, então irei fazer isso.
Obs: Tem o livro da irmã gêmea, Amelia.

Enfim, é isso. Obrigada por ter lido e entrado no livro. Não se esqueçam de votar, me ajuda muito a continuar. Beijo, vejo vocês depois ❤️

Instagram: autoraflocos33

Rude AshleyOnde histórias criam vida. Descubra agora