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Ashley Willian

Termino de subir as escadas e vou direto para meu quarto. Amelia me segue, dizendo várias e várias vezes para eu tentar mudar e não sair de perto dela. Mas o que mais me irrita nisso tudo, é saber que meus pais estão querendo se livrar de mim.

Sei que não sou uma pessoa fácil de lidar, mas precisa se livrar de mim? Eu e Amelia crescemos praticamente com babás — porque os lindões sempre estavam no trabalho e nunca tinham tempo para gente, mal tinham tempo para eles.

A família da minha mãe me acolheu, deu amor e me mostrou um novo mundo. Os Miller's são pessoas de má índole — mas que valoriza eu e a Amelia, diferente do meu pai e da minha mãe que vive no escritório veterinário.

Só queria um pouco mais da atenção deles. Talvez seja ridículo fazer bagunça para ter a atenção dos dois, mas ultimamente essa está sendo a única opção. Mas parece que meus pais não percebem isso.

Isso... é ridículo.

— Ashley!

— Oi. — sento na cama, encarando o rosto angelical da minha irmã. Quase um anjo — Eu já entendi! Não vou aprontar, relaxa maninha.

Ela me encara por um tempo. Seu suspiro em seguida vem falho, e a mesma cruza seus braços, como se quisesse ter alguma autoridade agindo assim.

— Crescemos como carne e unha... não sei se aguentaria ficar longe de você.

— Amelia, se eu for para esse colégio, vamos ainda ficar se vendo e comunicando uma com a outra. Temos celulares e podemos fazer ligação. O que pode dar de errado?

Seus olhos são decaídos, a mesma sabe que não vou parar. É a vida que eu tenho, não posso mudar de repente. Além disso, ninguém consegue fazer isso — precisa de tempo e paciência.

— Eu só... não queria que você fosse para aquele lugar. Você sabe como a educação daqui é rigorosa. — sua voz é doce. Tão doce que corrói minha barriga.

Às vezes Amelia me impressiona por ser uma garota tão calma no meio de um caos completo.

— Eu sei, relaxa...

Coloco o celular para carregar na tomada ao lado da minha cama, encaixando à entrada com um barulho seco e firme. Me coloco de pé.

— Vamos ver um filme — proponho, indo até a garota de cabelos castanhos. Seguro seus ombros com um aperto gentil — Pega o notebook e escolhe, vou tomar um banho. E nem pense em escolher algo clichê e brega.

— Ah, não! — seu rosto se entristece, mas sei que é drama da parte dela — Esse tipo de romance é o melhor... Você vai amar.

Ela se afasta até sair do meu quarto, sem dar espaço para eu retrucar. Não gosto de negar as coisas para Amelia. É minha irmãzinha — a única que tenho.

Caminho até o banheiro, e de cara fico de frente ao espelho. Meu rosto está com alguns hematomas, mas nada tão pesado. Prendo meus cabelos pretos com uma xuxinha e retiro minha roupa.

Amelia foi a única que puxou minha avó paterna com seus cabelos castanhos escuros. A mãe biológica do meu pai... Isaac sempre fala que Amelia lembra um pouco a mãe dele na adolescência. Papai nunca me contou o motivo da morte do seu irmão e dos seus pais — sempre tive curiosidade para saber o que aconteceu com eles.

Rude AshleyOnde histórias criam vida. Descubra agora