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Ashley Willian

Queria poder ficar com ela. Queria poder abraçá-la, mas seu corpo estava sendo levado de volta para Seul, para poder iniciar o velório. Já estava de madrugada, não tinha mais forças após chorar tanto nos braços do Kaylab.

Me culpava a cada segundo, porque realmente era minha culpa.

Papai e mamãe também estão me levando de volta. Nunca participei de um velório antes, esse será o primeiro. Não sei se sua mãe irá me querer lá... Ela... com certeza vai me odiar.

Nenhuma mãe ficaria bem ao ver a pessoa que deveria estar morta no lugar da filha ou filho no velório. O que eu deveria fazer? Não quero mais dar trabalho a eles... Tirei a única filha que eles tinham e ainda será cremada no dia do aniversário da Soo-min.

Como a mãe vai se sentir ao olhar para mim? Olhar em meu rosto e saber que a filha morreu por me salvar? Eu não quero... não quero vê-la. Estou me sentindo um lixo...

Ainda consigo sentir seu sangue em minha mão.

— Mãe... — sussurrei, e a mesma se virou rápido para trás — A mãe dela... vai me odiar... — lágrimas voltaram aos meus olhos — A filha será cremada no aniversário dela... É tão pesado, mamãe...

Ela não disse nada. Mas o que poderia ser dito nesse momento tão ruim?

Coloquei as mãos em meu rosto chorando novamente.

— Era pra ter sido eu... Era pra ter sido eu... mamãe. — minhas mãos molhavam pelas lágrimas — Meu coração dói... Sinto um aperto tão forte... que me falta ar.

Sentia meu corpo tremer de novo. Estava chorando com desespero mais uma vez. Um abraço me evolve, mamãe veio para a parte de trás do carro e abraçou meu corpo. Sua mão acariciava meus cabelos enquanto eu chorava em silêncio.

Ninguém poderia acalmar a turbulência em minha mente agora. Estava arrasada, conseguia sentir meu corpo se despedaçar completamente. O carro voltou a ficar em silêncio.

Fiquei nos braços da mãe até chegarmos em Seul. Ela não me soltou, e eu não queria que soltasse. Estava me sentindo sozinha, precisava de um abraço.

Papai parou de frente a casa após um tempo de viagem. Eu saí colocando as únicas forças que tenho em minhas pernas. Caminhei para dentro sem precisar abrir o portão.

— Mãe!

A voz da Amelia ecoou, mas não teve resposta. Passei por ela, caminhando em direção ao meu quarto. Não queria falar com ninguém, apenas... ficar sozinha agora. Precisava ficar sozinha para chorar mais e mais.

Entrei em meu quarto e fechei a porta trancando. Caminhei até a cama, deixando a bolsa cair do meu corpo. Deitei sobre o colchão de qualquer jeito e fechei meus olhos.

O vento gelado bate contra meu rosto, estou aqui, naquele lugar bonito de novo. Parece o paraíso. Um paraíso que criei. Não estou sentindo dor, nem angústia aqui. Estou gostando de sentir um vento tão bom contra meu rosto, acalma meu espírito.

— Como se sente?

— Com certeza mal, mas aqui, pareço me sentir bem. Talvez por ser fora da realidade, por ser em minha mente — respondo o Layam sem olhá-lo — Acho que... vou me culpar para sempre pela morte dela.

— Aqui também não sinto nada. Eu sinto muito pela sua amiga. Naquela hora... eu... pude me ver ali, do mesmo jeito que você.

— Aconteceu o mesmo com você... certo? Me pergunto... se também estou destinada a ter o mesmo final que o seu.

Rude AshleyOnde histórias criam vida. Descubra agora