Capítulo 10: Inimigo do meu inimigo.

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Na manhã seguinte bem cedo eu acordei já sentindo o enjôo matinal característico que mesmo sendo um grande incômodo não me debilitava tanto depois de 2 semanas. Respirei fundo para acalmar o estômago embrulhado só então saí da cama e segui com o que se tornou minha rotina.

Tomar banho e me vestir para os problemas do dia. Hoje teria que abordar Eris sem chamar a atenção de Beron ou dos outros perseguidores irritantes com os quais estava ficando frustrada por suportar.

Mais de uma vez senti vibrações nas sombras do meu quarto e todas as vezes que olhava para uma sombra a sensação desaparece junto com o que só posso supor são as pequenas espiãs de Rhysand intrometido da Silva.

Coloquei um vestido púrpura brilhante e um conjunto de brincos e colar cravejado por obsidiana e um salto preto antes de ir até uma das câmaras conectadas ao meu quarto para fazer a primeira refeição do dia.

A mesma feérica inferior sempre trás minha refeição sendo seguida de perto por um attor feioso que acredito ser tão observado por mim quanto um dia Amarantha foi observada por Tamlin. Esse ser de pele cinzenta e cara feia com grandes asas de morcego me segue por todos os lados e guarda a porta do meu quarto fielmente e sempre obedece até aos mais absurdos de meus pedidos sem questionar.

Poderia ser um amigo se eu pudesse realmente confiar que ele não é apenas outro como Amarantha foi e Beron que ainda é um velho monstro egoísta.

Comecei a comer as torradas amoras e queijo e beber suco de laranja, estava realmente delicioso apesar do gosto metálico que passei a sentir na boca uns dois dias atrás junto com um incômodo persistente nos seios sensíveis. Estar grávida é em um resumo descritivo: uma desgraça! Porém tem suas alegrias.

_ Traga Eris Vancerra aqui, quero falar com ele. - Ordenei sem especificar para quem era a ordem.

Não me dei o trabalho de tirar os olhos dos movimentos que continuei a fazer ao pegar uma amora de cada vez para comer com um pequeno pedaço de queijo, não me importo com qual dos dois seres vai obedecer.

Depois de uma dias sendo tratada como um ser terrível e amedrontador, me acostumei a agir como tal. Afinal o que eu sou, se não o que se espera de mim?

Preciso sobreviver, e isso exige que eu aja de acordo com meu papel, amedrontar os outros com o objetivo de conseguir o que quero não é tão difícil. Mantive minha mente focada, pensei num futuro onde estarei longe desse maldito lugar, onde não serei odiada e poderei cuidar e proteger meu bebê em paz.

Uma batida na porta chamou minha atenção e sinalizei para a feérica encolhida que permite e meu attor de estimação entrar sendo seguido por Eris.

O ruivo de tez pálida com pequenas sardas no rosto possui os cabelos jogados para trás em um topete charmoso, seu rosto é ângulos e aristocráticos, quase presunçoso, os lábios finos e olhos âmbar brilhantes. Todos os grão-feéricos pareciam lindos independente do ângulo que se pudesse olhar, Eris não era diferente, mas também não tinha nada nele que parecesse especial ou único.

Estava vestido com dourado laranja e vermelho, um conjunto extravagante e obviamente caro, tão chamativo quanto foi a exposição de Romero Britto no Louvre em Paris.

_ Sua majestade.

Ele parecia a imagem esculpida de um político carismático e mentiroso e aproveitador, uma cobra sorrateira e ambiciosa... o melhor tipo de aliado de interesses que alguém pode ter e o pior tipo de sanguessuga que alguém poderia encontrar.

Conheço bem o tipo de pessoa que Eris é e o que ele deseja, o que está disposto a fazer para conseguir alcançar seus objetivos, temos algumas características em comum, porém enquanto ele quer poder, tudo o que desejo é viver em paz com meu bebê.

Corte de Renascimento e RedençãoOnde histórias criam vida. Descubra agora