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Mate-o mate-o mate-o. O caldeirão sussurrou em meus ouvidos. Estendi a mão para minha magia, mas ela parecia tão ausente quanto estava durante meu período na cela da torre.
Mate-o mate-o mate-o. Como eu queria seguir essas palavras, porém não podia, nem podia me mover. Como alcançar o homem sentado naquele trono?
Um espetáculo de poder bruto partiu de Feyre quando ela conseguiu por pura força de vontade puxar seus poderes de volta. Garras e asas e sombras estavam imediatamente ao seu redor, cercadas por água e fogo e gelo. Então, sumiram, contidas quando aquela mão invisível agarrou seu poder de novo, com tanta força que a fez arquejar.
Eu conseguia ver os pequenos fios de magia, podia sentir o poder no ar, mas não podia tocá-lo, não enquanto estivesse as vistas do rei, nenhum de nós poderia.
- Ah - disse o rei para mim, emitindo um estalo com a língua -, isso. Olhe para você. Uma criança de todas as sete cortes, igual e diferente de todas. Como o Caldeirão ronrona em sua presença. Planejava usá-lo? Destruí-lo? Com aquele livro, podia fazer o que quisesse.
É sempre sobre poder para homens como ele...
Ela não disse nada. O rei deu de ombros.
- Vai me contar em breve.
- Não fiz acordo algum com você.
- Não, mas seu mestre fez, então, vai obedecer.
Ódio liquefeito escorreu por toda a face de Feyre, tanto orgulho brilhando em seus olhos. Eu podia entender a revolta, mas nesse caso, cercada por inimigos... bom eu não escolheria lutar nessa batalha em particular. Ouvi um Sibilar furioso partindo dela para Tamlin:
- Se me levar daqui, se me afastar de meu parceiro, vou destruir você. Vou destruir sua corte e tudo que estima.
Ouvir suas palavras dirigidas a ele, por outro lado, me deixou infinitamente raivosa. Lívida com o gosto amargo surgindo em minha boca. Algo como instinto primitivo começou a lutar em meu interior e eu queria de fato rir de ódio nesse momento. Escutar as palavras de Feyre e lembrar de tudo o que ela disse sob a montanha, tudo que ela estava disposta a arriscar por Tamlin conhecendo ele por apenas 1 ano. Ela jurou que o amava, ela lutou para provar que seu amor era verdadeiro, ela morreu para provar que seu maldito amor era incorruptível!
Agora parada diante de mim com Rhysand ao seu lado, sitiada por inimigos, essa humana que foi feita feérica teve a audácia de ameaçar o meu parceiro!
No meio de toda essa tragédia onde todos os lados colidiram uns contra os outros lutando e brigando, tensos ou esperando por uma brecha de oportunidade, ouvir essas palavras rompeu algo em mim.
O laço de parceria que sempre parecia instável e cru se revoltando a cada toque, o laço de parceria que até pouco tempo se fosse tocado sentir-se-ia como as cinzas de uma casa depois de um incêndio, esse laço irritante que me prende ao meu detestável semelhante que me odeia com paixão, se retorceu ouvindo essas palavras.
Eu detesto Tamlin por ser parecido comigo, por refletir todos os meus defeitos e ainda olhar para mim como se fosse diferente, como se ele fosse melhor por continuar lutando contra sua própria natureza, mas isso foi passar de todos os limites toleráveis dos meus sentimentos, isso foi cuspir na minha cara por ter sofrido com a morte de Feyre, foi um tapa na culpa que sentia com meu fracasso em impedir que ela fosse morta.
Então mesmo que o medo tivesse se infiltrado em minhas células durante os meses que passei presa, apesar do trauma que me consumiu por semanas e apesar de qualquer razão que eu tinha para me manter o mais silenciosa e invisível, se esvaiu do meu corpo e coração a neutralidade. Eu tremia tentando me conter até que não foi mais possível.
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Corte de Renascimento e Redenção
FanfictionGeneral de Hybern, Ladra dos sete grão-senhores, A praga de Prythian, Poderosa, ardilosa e cruel, Grã-Rainha de Prythian. A melhor e mais odiosa vilã de "Corte de Espinhos e Rosas" está marcada para morrer no final do primeiro livro, um destino mere...