Capítulo 15: Segunda prova.

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🌿🥀🌿

Durante aquela manhã quando acordei tratei de seguir o mesmo roteiro que havia estabelecido nos dias anteriores.

Me arrumar como uma rainha, manter a feição arrogante e apática, fazer as refeições sozinha e depois caminhar por sob a montanha e voltar para meu escritório.

A única diferença dessa manhã em particular foi que eu realmente não fiz nada para me ocupar, apenas fiquei lá, sentada em uma cadeira de madeira opulenta olhando as letras nos papéis sem ler qualquer uma delas.

Acho que se eu acreditasse em um ser superior, essa seria a hora para pedir por um pouco de sorte.

A segunda prova estava pronta, um enigma simples escrito em palavras, sendo que Feyra não podia ler, três respostas que ela deveria escolher de forma aleatória contando apenas com a sorte o preço por seu erro sendo a vida de alguém importante. (Não o Lucien).

Passei o dia inteiro dessa forma. Pensando e pensando sem conseguir silenciar meus pensamentos, tudo o que pode dar errado e a realidade de que o fim que aguardo está se aproximando tão rápido e tão insuportavelmente devagar.

Às 8 horas da noite eu fui para a caverna onde tudo foi preparado. A corte dos pesadelos 2.0 já está reunida e como manda o roteiro eu me dirigi a cadeira de frente para o restante do salão.

Estávamos em outra caverna; menor que o salão do trono, mas grande o suficiente para talvez ser algum tipo de área de entretenimento antiga. Não tinha decorações, nenhuma mobília, exceto pelas paredes com moldura dourada, apenas a cadeira entalhada onde eu estou, com Tamlin de pé logo atrás.

Feyra não encarou Navi por muito tempo , acho que ficou incomodada com o sorriso cruel em seu rosto, ele que ficou do outro lado da minha cadeira, como sempre, com a longa cauda fina chicoteando o chão.

Coloquei um sorriso em meu rosto e dei início a cena.

— Bem, Feyre, sua segunda tarefa chegou. - Tentei soar uma voz presunçosa e arrogante.

Mantive a rigidez e então cruzei
os braços apoiando o queixo em uma das mãos quase exprimindo uma postura de tédio. Dentro do anel, o olho de Jurian se virou, se virou para olhar Feyra, eu notei o momento exato quando ele a viu, sua pupila se dilata sob à luz fraca. — Já decifrou o enigma?

Ela não respondeu.

— Uma pena — disse, fazendo biquinho. — Mas estou me sentindo generosa esta noite. — Navi deu um risinho, e vários feéricos lançaram risadas sibilantes para a pequena humana, risadas que subiram serpenteando minha pele de forma desagradável.

— Que tal um pouco de treino? — Perguntei, e obriguei
meu rosto a permanecer cruelmente debochado como deve estar.

Claro que Feyra a humana inconsequente não estava exatamente prestando atenção em mim, ela estava olhando o rosto esculpido em pedra do homem que ela diz amar.

Pobre garota cega, ela nem sabe o que é amor... no primeiro sinal de dificuldades vai deixá-lo, porque apesar de estar apaixonada agora Feyra jamais amou ou vai amar Tamlin... como poderia? Ela nem o conhece, e quando começar a enxergar o que habita sob a pele de príncipe encantado começará a odiá-lo.

Percebi como o olhar dela refletia saudade enquanto Tamlin permaneceu frio e inabalável, sem fraquezas em sua armadura de indiferença. Os olhos de Feyra brilharam como se seu esforço para não derramar lágrimas fosse insuportável, ela parecia prestes a desabar.

Quando os dois pombinhos continuaram a troca de olhares por um tempo demasiadamente longo me vi na irritante tarefa de interromper seu contato.

Estalei a língua raivosa enquanto olhava entre os dois sem qualquer paciência para a poética de um livro romântico, meu desejo é que isso acabe o mais depressa possível.

Corte de Renascimento e RedençãoOnde histórias criam vida. Descubra agora