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Narradora Point Of View

Já era noite quando ela abriu os olhos e precisou deixar a cama. A cabeça doía, assim como os músculos do seu corpo que protestaram tão logo começou a caminhar em direção ao banheiro. Com os olhos praticamente fechados, ela encheu a banheira até quase na borda, e após livrar-se da roupa entrou na mesma, sentindo a água fria quase machucar o seu corpo. Permaneceu alí por longos minutos apesar do frio que sentia, em uma tentativa de baixar a febre. Estava resfriada, para o seu total desgosto.

Quando terminou o banho, cobriu o corpo com um short de algodão, blusa de mangas de tecido grosso, meias e enrolada nas cobertas caminhou até à sala. Sentia o estômago vazio, mas por não ter força de vontade optou por deitar no sofá enquanto ouvia a chuva cair fortemente lá fora, e sentia o latejar insistente da sua cabeça. Permaneceu alí por poucos minutos, até que o celular tocou sinalizando uma nova ligação.

_ Estou ouvindo.- Atendeu sem fazer questão de verificar quem ligava, a voz terrivelmente rouca.

_ Pelos vistos ainda não melhorou do resfriado.

_ Sinto como se um caminhão tivesse passado por cima do meu corpo.- Respondeu tão logo reconheceu a voz da amiga.

_ Quer que eu venha ficar com você?.- Verônica perguntou realmente preocupada. Já era o terceiro dia que a morena ficava trancada em seu apartamento sem sinal de melhora.

_ N-ão precisa.- Negou em meio a um espirro.- Só preciso descansar mais um pouco.- Garantiu, os olhos terrivelmente vermelhos.- Alguém está tocando a campainha, ligo para você depois, pode ser?

_ Certo, fica bem Mai.- A ruiva desejou antes de encerrar a ligação.

Ela largou o celular por cima da mesa, e foi abrir a porta ainda enrolada nas cobertas, e foi com surpresa que seus olhos enxergaram a figura imponente de Mane parada no corredor.

_ Posso entrar?.- Os olhos de Maite pararam nas sacolas que ele tinha em mãos, e logo deu espaço para que o mesmo adentrasse ao apartamento. Não estava com a mínima vontade de bater boca com ninguém.- Um passarinho me contou que tem estado doente.- Observou ela caminhar de volta para o sofá.

_ E aí você resolveu deixar de ser covarde e veio me procurar?.- Perguntou e viu ele caminhar até a cozinha para em seguida depositar as sacolas por cima do balcão.

_ Devo ter merecido isso.- Aceitou sorrindo de canto.- Trouxe remédios para você e alguns ingredientes para fazer uma sopa.- Explicou enquanto caminhava na direção dela.

Maite tinha os olhos fechados, mas não deixou de notar a presença dele perto do seu corpo. O nariz entupido não lhe permitia sentir quase cheiro nenhum, mas poderia jurar que o aroma do perfume dele estava por toda parte.

_ O que está fazendo?.- Abriu os olhos ao sentir a palma da mão do empresário em contacto com a pele do seu rosto.- Não pedi a sua ajuda.

_ Você está queimando.- Observou, o olhar preocupado.- Aonde posso encontrar toalhas?

_ Não pedi a sua ajuda!.- Repetiu sem muita paciência.- Posso perfeitamente me virar sozinha, vá embora.

_ Eu não disse o contrário, mas quero ajudar.- Disse sem se importar com o olhar de desgosto que ela lhe lançava.- Sei que mereço toda essa rejeição e talvez um pouquinho mais. Mas, podemos só deixar isso para trás um momento e cuidar da sua saúde? Prometo que quando você melhorar, e ainda assim me quiser fora daqui eu vou embora sem reclamar.

A morena o encarou fixamente por longos minutos, vendo a convicção estampada nos olhos dele que não tinha intenção nenhuma de se mover dali. E movida pelo cansaço físico, e por, apesar de não admitir em voz alta, ter gostado da visita, deu-se por vencida e indicou o banheiro no final do corredor. Com um meio sorriso nos lábios, Mane caminhou á passos apressados até ao banheiro, e voltou de lá com uma toalha devidamente molhada e colocou por cima da testa da morena que gemeu pela diferença de temperatura. Seus olhos ardiam, assim como o nariz e a garganta.

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⏰ Última atualização: Mar 20, 2025 ⏰

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