Y7- Um Aniversário Perverso

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✨Lumos✨

⚠️: Sangue

⚠️: Sangue

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Dezessete.

Dezessete anos.

Haviam se passado 18 dias. 432 horas desde a madrugada onde eu conseguira escapar. Consequentemente, a manhã do décimo nono dia de Julho chegou — meu aniversário. Eu, no entanto, não me sentia como se fosse.

Passei horas ou talvez semanas a pensar que morreria, que nunca chegaria aos dezessete. Por isso, quando o dia chegou, parecia ser demasiado irreal. Minha esperança morreu naquela cela, estilhaçou-se e voou como um pássaro que procurava por liberdade ao vento. Mas meu corpo ficou, completamente preso a uma tortura desgastante.

Encarar meu rosto no espelho era o mais difícil. Todavia, minhas feições eram as mesmas. Meus fios possuíam o mesmo comprimento. Meus olhos ainda brilhavam com a luz solar. Porém o reflexo não me refletia a mim. Não por inteiro.

Ele apenas refletia resquícios.

Minhas cicatrizes eram quase imperceptíveis, agora. Minha pele quase parecia intocada. Quase. Às vezes eu ainda sentia a ardência em minhas veias e as descargas elétricas que desciam pela minha espinha a cada grito que deixava minha boca. A sensação era recorrente, especialmente durante o sono.

Os pesadelos eram familiares e repetitivos. Todos terminavam da mesma forma: com a minha morte. A escuridão me estrangulava assim que eu acordava. As quatro paredes que me rodeavam eram demasiado apertadas. O pânico alastrava-se quando percebia que estava sozinha mais uma vez.

Harry estava comigo todas as noites, no entanto. Mas o escuro não me permitia vê-lo.

Além disso, embora sentisse fome, eu não conseguia comer uma única refeição completa sem acabar ajoelhada diante da privada. Harry, nesses momentos — e não só —, era meu rochedo, a minha âncora. Meu noivo me amparava e segurava meu cabelo enquanto eu vomitava tudo o que não tinha, me ajudava a levantar devido a meu corpo trêmulo e me reconfortava quando as lágrimas caíam, por fim.

Era um ciclo doloroso e constante. Meu corpo suplicava por alimento, por qualquer coisa que me segurasse. Porém, meu estômago não aguentava. Ignorava. Debatia-se. Negava.

Minha rotina continuava assim dia após dia.

Eu tentava ignorar os olhares preocupados que me eram dirigidos. Minha mãe passava horas com os olhos avermelhados pelas lágrimas, chorando pelos cantos quando pensava que eu não a encontraria. Parte disso era minha culpa. Eu não era a filha que ela deixara em Janeiro. Meu pai quase se desfazia a cada conversa que tínhamos, procurando por qualquer sinal que indicasse que ainda me restava alguma sanidade. A resposta era negativa. As certezas eram de 99,9 por cento com mais alguns "9" pela frente. Se me restasse alguma, muito provavelmente já teria desaparecido no momento em que deixei o labirinto em chamas.

𝐈𝐓 𝐖𝐀𝐒 𝐌𝐄𝐀𝐍𝐓 𝐓𝐎 𝐁𝐄, Harry PotterOnde histórias criam vida. Descubra agora